BRUXELAS 19 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente da França, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, instaram novamente nesta quinta-feira, ao chegarem a uma cúpula dos 27 líderes da União Europeia, para que o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, cumpra os compromissos assumidos com os demais parceiros e retire o veto ao empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia que o bloco acordou em dezembro passado.
“O princípio que rege o funcionamento da União Europeia é o da lealdade e da confiabilidade. E presumo que todos os Estados-membros da União Europeia o respeitem”, afirmou Merz em declarações à imprensa em Bruxelas, ao chegar ao Conselho Europeu.
Também o presidente francês, que afirmou conversar frequentemente com Orbán, apelou ao respeito pelos compromissos acordados em nível de líderes, em referência ao acordo constante no texto das conclusões do Conselho Europeu de dezembro, juridicamente vinculativo para os Estados-membros. “Espero que avancemos no apoio à Ucrânia, que precisa disso, e que cumpramos nossa palavra no que diz respeito ao empréstimo de 90 bilhões de euros”, argumentou.
Na mesma linha, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, destacou que os chefes de Estado e de Governo da UE já chegaram a um acordo no final do ano passado e, portanto, “esse acordo deve ser cumprido”. “O que se espera de qualquer presidente, seja da Hungria ou de qualquer outra nação, é que, quando o Conselho chega a um acordo — e chegamos a um acordo no final do ano passado —, esse acordo tenha de ser cumprido”, argumentou.
O primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, elevou o tom e acusou o líder húngaro de “usar a Ucrânia como arma eleitoral” e de “trair” os demais parceiros da UE ao impedir a aplicação de um acordo já fechado pelos 27.
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, por sua vez, criticou o veto e o fato de as decisões de Orbán serem influenciadas pelo cálculo das próximas eleições na Hungria, neste mês de abril. “Em época de eleições, as pessoas não são racionais”, reforçou.
“O veto da Hungria é inaceitável”, considerou, por sua vez, o primeiro-ministro dos Países Baixos, Rob Jetten, que destacou que o acordo foi alcançado ao mais alto nível e, por isso, os parceiros “esperam que seja respeitado”; ao mesmo tempo, valorizou o acordo da Comissão Europeia com Kiev para permitir o envio de uma missão técnica para inspecionar o estado do oleoduto.
ACORDO EM DEZEMBRO COM ISENÇÃO PARA A HUNGRIA
Em dezembro, os líderes, com o apoio de Orbán, acordaram um empréstimo europeu de 90 bilhões de euros, com a condição também validada de que a Hungria, a Eslováquia e a República Tcheca não participassem do crédito.
No entanto, Orbán reativou seu veto a esse empréstimo e ao vigésimo pacote de sanções contra a Rússia, alegando problemas de abastecimento em seu território como consequência do oleoduto Druzhba danificado na Ucrânia, e avisou que não desbloqueará as decisões europeias até que o fluxo de petróleo russo para a Hungria seja restabelecido.
Sobre a posição de Orbán, o primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babis, afirmou que esse assunto não é de sua competência — “é problema dele, não meu” — e que ele iria concentrar seus esforços nesta cúpula em discutir isenções para o sistema de comércio de emissões ETS que, em sua opinião, está “destruindo” a indústria europeia.
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