Publicado 28/05/2026 05:56

Os 27 dão prioridade à definição das exigências a serem feitas à Rússia antes de nomear um enviado para negociar a paz

Archivo - Arquivo - Vista geral da reunião do Conselho de Assuntos Externos e Defesa da União Europeia em Bruxelas, em 30 de agosto de 2024, em Bruxelas (Bélgica).
Ministerio de Defensa - Arquivo

Consideram que a Ucrânia deve primeiro aceitar o representante da UE para dialogar com Moscou e prevêem o início de negociações em breve

BRUXELAS, 28 maio (EUROPA PRESS) -

Os ministros das Relações Exteriores dos 27 países da União Europeia concordaram nesta quinta-feira que o bloco comunitário deve se concentrar primeiro em definir suas exigências à Rússia antes de nomear um possível enviado especial para negociar o fim da guerra na Ucrânia, em meio ao debate iniciado por Kiev para que a União Europeia esteja presente na mesa de negociações com Moscou.

Em uma reunião informal dos chefes diplomáticos da UE realizada em Chipre, vários deles minimizaram as especulações sobre possíveis nomes e ressaltaram que o processo se encontra em uma fase “muito inicial”, embora a grande maioria tenha apoiado a ideia de nomear uma pessoa que represente institucionalmente a UE em eventuais negociações com a Rússia.

A primeira a se pronunciar foi a Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, que alertou os ministros comunitários para que não “caíssem na armadilha” de Moscou, permitindo que a Rússia escolha os interlocutores da União ou vete possíveis mediadores.

“A Rússia quer que caiamos na armadilha de debater quem fala com eles, escolhendo já quem lhes parece adequado ou não. Não caiamos nessa armadilha. A negociação é sempre um esforço de equipe: há papéis mais rígidos, papéis mais flexíveis e uma estratégia para sentar à mesa. Por isso, o conteúdo é muito mais importante do que quem negocia”, defendeu a política estoniana.

A esse respeito, o ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, assegurou que “o importante não é o nome, é a abordagem”, insistindo que qualquer passo futuro deve ser coordenado com o governo ucraniano. De qualquer forma, ele sinalizou que as conversas com Moscou ainda se encontram “em uma fase muito incipiente”.

Na mesma linha, se expressou o ministro italiano, Antonio Tajani, que defendeu que a escolha do nome do negociador com a Rússia não deve ser decidida “agora”, mas quando houver oportunidade de que “todos estejam juntos” para a assinatura de um acordo de paz com Moscou.

Tanto Albares quanto Tajani minimizaram a necessidade de nomear um enviado especial, argumentando que “talvez não seja necessário” fazê-lo, pois a UE já conta com suas próprias instituições para exercer esse papel, como o próprio Kallas, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, ou a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.

Por sua vez, o chefe da diplomacia da Bélgica, Maxime Prévot, instou a “debater o conteúdo do processo de negociação” e a chegar a um acordo sobre “que tipo de proposta a UE pode apresentar na mesa de negociações”, mas, ao mesmo tempo, “definir alguém que personifique a mensagem europeia”. “Precisamos tomar uma decisão comum, não apenas identificar uma pessoa, mas também definir qual conteúdo queremos colocar na mesa”, afirmou.

A UCRÂNIA DEVE ACEITAR O FUTURO MEDIADOR

O ministro de Chipre, Constantinos Kombos, país que detém a presidência rotativa do Conselho da UE, assinalou que há “opiniões divergentes” sobre se se deve designar um enviado especial, e indicou que o debate desta quinta-feira se centrará em estabelecer “os elementos fundamentais do posicionamento” europeu de vista a uma designação que, em sua opinião, deverá ser tomada “ao mais alto nível político”.

O ministro alemão, Gunther Krichbaum, rejeitou categoricamente a proposta de Putin de nomear o ex-chanceler Gerhard Schröder como mediador, sublinhando que “as regras do jogo não são ditadas pela Rússia”. Ele também insistiu que qualquer mediador deverá contar com a aceitação de todas as partes, “e sobretudo da Ucrânia”, cuja soberania e integridade territorial foram violadas.

Por sua vez, a ministra austríaca, Beate Meinl-Reisinger, pediu à União que nomeie um negociador-chefe, lembrando que foi o próprio ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andri Sibiga, quem já transmitiu aos Vinte e Sete essa mesma expectativa.

OS PAÍSES BÁLTICOS LEMBRAM QUE “PUTIN NÃO QUER FALAR DE NADA”

Ao ser questionado sobre o assunto, o ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, alertou que “Putin não quer falar de nada” e que o que ele faz é “aumentar a pressão sobre a Ucrânia”, enquanto continuam “todas as noites” os “ataques brutais” contra a população ucraniana, razão pela qual defendeu que a UE deve se concentrar em “como reforçar a posição europeia”.

Na mesma linha, o chefe da diplomacia lituana, Kestutis Budrys, insistiu que “este não é o momento de discutir quem vai participar das negociações” nem “quem ocupará um lugar à mesa”, mas sim de debater o que o bloco fará para “aumentar a pressão sobre a Rússia” e fornecer mais ajuda a Kiev para que possa “resistir a esses ataques e avançar rumo à vitória”.

Da Letônia, o secretário de Estado das Relações Exteriores, Artjoms Ursulskis, reconheceu que a UE deve estar presente em uma eventual mesa de negociações porque “não se trata apenas da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, mas da paz na Europa a longo prazo”.

“Temos que estar lá. É difícil prever exatamente o que ajudaria. Talvez um enviado especial, talvez alguém que atualmente não esteja na política, mas provavelmente e muito possivelmente o que mais ajudará será a pressão econômica. Devemos ser capazes de oferecer opções. E isso é o principal para nós”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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