Publicado 28/01/2026 14:50

Os 27 debatem nesta quinta-feira novas sanções ao Irã e à Rússia e os próximos passos para a paz em Gaza.

Archivo - Arquivo - HANDOUT - 15 de dezembro de 2023, Bélgica, Bruxelas: A primeira-ministra da Estônia, Kaja Kallas, fala à imprensa ao chegar para participar da Cúpula da UE. Foto: Gaetan Claessens/CONSELHO DA UE/dpa - ATENÇÃO: uso editorial exclusivo e
Gaetan Claessens/EU COUNCIL/dpa - Arquivo

Os ministros das Relações Exteriores da UE também debaterão se é necessária mais flexibilidade a Kiev para o empréstimo de 90 bilhões BRUXELAS 28 jan. (EUROPA PRESS) -

Os ministros das Relações Exteriores dos 27 Estados-membros da União Europeia se reúnem nesta quinta-feira em Bruxelas para discutir a implementação de novas sanções contra o Irã e a Rússia e para abordar quais devem ser os próximos passos para alcançar a paz em Gaza, uma vez que foi lançada a segunda fase do plano proposto pelos Estados Unidos para o futuro do enclave palestino.

Durante o encontro, que ocorre uma semana após o Conselho Europeu extraordinário que reuniu em Bruxelas os chefes de Estado e de Governo da União Europeia após as ameaças tarifárias de Washington a vários países europeus por causa da Groenlândia, os chefes diplomáticos abordarão uma série de questões pendentes em política externa, embora só falem da ilha do Ártico à margem.

Os ministros iniciarão a reunião discutindo a agressão russa à Ucrânia, que completa quatro anos neste mês de fevereiro; de como distribuir o empréstimo de 90 bilhões de euros a Kiev, acordado no Conselho Europeu de dezembro; bem como das negociações de paz num momento em que a Rússia intensificou sua ofensiva e em que se aguarda o início de um trílogo com os Estados Unidos para buscar o fim do conflito.

A União Europeia está preparando um “ambicioso” vigésimo pacote de sanções contra a Rússia, mês em que se completam quatro anos do início da invasão russa à Ucrânia, mas não está previsto que os ministros das Relações Exteriores abordem essas sanções nesta quinta-feira, enquanto se aguarda que a Comissão Europeia coloque sobre a mesa medidas punitivas concretas.

No entanto, espera-se que sejam acordadas sanções coercitivas adicionais contra o Kremlin para manter a pressão sobre a Rússia, segundo fontes diplomáticas. De fato, nesta quarta-feira, os embaixadores já avançaram com sanções contra seis propagandistas russos que serão formalizadas nesta quinta-feira, conforme confirmaram à Europa Press várias fontes. FLEXIBILIDADE NOS 90 BILHÕES PARA KIEV

Da mesma forma, será tratada a proposta da Comissão Europeia de gastar os 90 bilhões de euros que a UE destinará à Ucrânia para cobrir suas necessidades de financiamento nos próximos dois anos; um empréstimo que recebeu luz verde dos líderes em dezembro, apesar da rejeição da Hungria, República Tcheca e Eslováquia.

O Executivo comunitário propôs destinar dois terços, 60 bilhões, para gastos militares com prioridade de compra à indústria ucraniana e europeia, e os restantes 30 bilhões para cobrir outras necessidades orçamentárias e garantir a continuidade do funcionamento da Administração.

No entanto, de acordo com várias fontes, alguns países apontam a necessidade de este empréstimo contar com um mecanismo que priorize as compras de armamento proveniente da União Europeia e da Ucrânia sempre que possível, mas que permita, por sua vez, que, quando necessário e o equipamento não estiver pronto nem estiver disponível em breve na Europa, se procure em países terceiros, como os Estados Unidos.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, instou esta segunda-feira a UE a dar maior flexibilidade a Kiev com o empréstimo, tendo em conta que «de momento não pode fornecer nem de longe o suficiente para que a Ucrânia se defenda». Um dia depois, a própria Comissão Europeia salientou que apenas fez uma proposta e que seriam os 27 que concretizariam esse tipo de detalhes.

NOVOS PASSOS PARA A PAZ EM GAZA Outro dos blocos mais importantes que os ministros irão abordar será a situação no Médio Oriente, onde há várias questões em aberto, como o início da segunda fase do plano de paz americano na Faixa de Gaza ou o conflito no nordeste da Síria devido aos confrontos entre o exército sírio e as milícias curdas.

Especificamente, sobre a Faixa de Gaza, os ministros das Relações Exteriores debaterão qual deve ser o papel da UE diante da iminente abertura da passagem de Rafah e de que maneira ela pode oferecer sua ajuda para garantir a paz e o acesso à ajuda humanitária.

Segundo fontes europeias, entre as contribuições da UE que os chefes diplomáticos poderiam propor estão o treinamento da polícia palestina (EUPOL COPPS) ou a reativação de operações como as Missões de Assistência Fronteiriça da União Europeia (EUBAM, na sigla em inglês) para a passagem de Rafah.

Outro ponto que poderá ser abordado é a Junta de Paz proposta pelos Estados Unidos, embora os 27 já tenham expressado as suas “sérias dúvidas” sobre a iniciativa, como a possibilidade de esta violar os tratados da UE e a Carta das Nações Unidas, entre outros problemas. SANÇÕES CONTRA O IRÃO E A GUARDA REVOLUCIONÁRIA

Mas será a situação no Irã que poderá dar origem a acordos mais concretos, como a imposição de sanções ao regime iraniano em resposta à repressão contra os manifestantes, que ao longo das últimas semanas terá causado a morte de milhares de pessoas.

Espera-se uma votação favorável à proposta da Comissão Europeia para dificultar o acesso de Teerã a componentes para a produção de drones e mísseis e, segundo fontes diplomáticas, a inclusão de mais personalidades do governo iraniano no regime de sanções por violações dos direitos humanos, suas atividades de proliferação nuclear e seu apoio militar à guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Embora ainda esteja por ver se também concordarão em designar formalmente a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista, uma vez que há uma minoria de países que mostram reticências, alegando que isso significaria a ruptura total das relações com Teerã e poderia colocar em uma situação complicada os cidadãos europeus deslocados para o país do Oriente Médio.

Fontes diplomáticas acrescentaram, no entanto, que a definição da Guarda Revolucionária como organização terrorista está ganhando força à medida que a brutalidade dos protestos faz com que as capitais mudem de opinião.

A Espanha, conforme confirmaram à Europa Press fontes do Ministério das Relações Exteriores, está entre os países a favor dessa medida, reivindicada anteriormente por outros atores, como o Parlamento Europeu. No entanto, para ser aprovada, será necessária a unanimidade, pelo que é possível que, diante da falta de consenso, essa medida restritiva seja adiada para mais tarde. DIREITOS HUMANOS NO MUNDO E SITUAÇÃO NA RDC

Durante o almoço, também abordarão com o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, as principais preocupações e prioridades da ONU em matéria de direitos humanos no mundo, passando pelas protestos no Irã ou pela situação no Sudão. Espera-se que, em seguida, os ministros adotem conclusões sobre as prioridades da UE nesta matéria, segundo detalharam fontes diplomáticas.

No resto do dia, os ministros das Relações Exteriores debaterão a situação na região dos Grandes Lagos após a nova ofensiva do Movimento 23 de Março (M23) na República Democrática do Congo (RDC), poucos dias após a assinatura em Washington de um acordo para pôr fim a um conflito que poderia se regionalizar.

Finalmente, após o Conselho de Relações Exteriores, será realizado o Conselho de Associação UE-Marrocos, o primeiro desde 2019, presidido pela Alta Representante da UE, Kaja Kallas, e pelo ministro das Relações Exteriores marroquino, Naser Burita, que servirá para aprofundar a cooperação em áreas-chave como migração, transição energética e relações comerciais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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