Publicado 12/06/2026 13:28

Os 27 debatem na segunda-feira a abertura de negociações de adesão com a Ucrânia e a imposição de veto a produtos provenientes de as

Eles também abordarão aspectos de política externa e de segurança nas relações com a China e acordarão novas sanções contra a Rússia

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, em declarações à imprensa antes do Conselho de Relações Externas (CRE) sobre desenvolvimento, realizado em 18 de maio de 2026, em Bruxelas.
FRANCOIS LENOIR

BRUXELAS, 12 jun. (EUROPA PRESS) -

Os ministros das Relações Exteriores dos 27 discutirão nesta segunda-feira a abertura de negociações formais com a Ucrânia para sua adesão ao bloco comunitário, uma vez que a Hungria retirou seu veto, e também avaliarão se há a maioria necessária entre os Estados-Membros para proibir o comércio com os assentamentos israelenses da Cisjordânia em toda a União Europeia.

O encontro, que ocorrerá em Luxemburgo na véspera da cúpula de líderes da próxima semana em Bruxelas, servirá também para que os chefes diplomáticos europeus abordem os aspectos de política externa e de segurança das relações da União com a China, e, além disso, está previsto que aprovem uma nova lista de pessoas sancionadas por sua relação com a invasão da Ucrânia.

Este Conselho de Relações Externas (CAE) terá início com um café da manhã informal com o ministro das Relações Exteriores da Armênia, Ararat Mirzoyan, onde os ministros analisarão os resultados das recentes eleições naquele país, nas quais Nikol Pashinián foi reeleito primeiro-ministro, e discutirão como fortalecer a resiliência e a segurança da Armênia diante da pressão econômica da Rússia.

No bloco dedicado à Ucrânia — que contará com a participação virtual de seu chefe diplomático, Andri Sibiga —, os Vinte e Sete concentrarão seus esforços na finalização do 21º pacote de sanções, que inclui novas medidas contra a frota fantasma de navios que a Rússia utiliza para contornar as sanções.

Também está previsto que acordem, de forma mais imediata, novas sanções contra pessoas e entidades, entre elas 54 pessoas por minar a integridade territorial da Ucrânia, outras 16 designações no âmbito do regime de Direitos Humanos ligadas à morte do opositor Alexei Navalny e mais 11 nomes por ameaças híbridas, conforme detalhado por fontes diplomáticas.

Mas o assunto mais importante serão as discussões para a abertura formal do primeiro bloco de capítulos das negociações de adesão tanto para Kiev quanto para Chisinau, com a realização, após o CAE, de três conferências intergovernamentais sucessivas para o processo de integração com Montenegro, Ucrânia e Moldávia.

Além disso, os ministros buscarão operacionalizar os 6,6 bilhões de euros do Fundo Europeu de Apoio à Paz (EPF) que permaneciam bloqueados pela Hungria, com o objetivo de reembolsar os Estados-membros pelo material militar enviado à Ucrânia e financiar, assim, novas capacidades de defesa para Kiev.

DEBATE SOBRE O COMÉRCIO COM OS ASSENTAMENTOS NA CISJORDÂNIA

A situação no Oriente Médio será o tema central de outro dos debates entre os ministros sobre o estado das hostilidades no Irã e na região do Golfo, e servirá para fazer um balanço dos contatos e da coordenação com os países parceiros.

Também discutirão o apoio da União Europeia ao Líbano, com foco na conclusão iminente das operações da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL). Está previsto que sejam analisadas propostas como o envio de uma missão europeia ao Líbano ou a concessão de fundos às Forças Armadas libanesas no âmbito do Fundo Europeu de Apoio à Paz (FEP), no valor de 100 milhões de euros.

No entanto, será a questão relativa a Israel e à Palestina que atrairá mais atenção, já que os ministros pretendem analisar uma proposta para proibir ou limitar o comércio com os assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, um ponto que gera forte divisão jurídica e política, segundo indicaram outras fontes diplomáticas.

A controvérsia reside na base jurídica da medida: se for tratada como parte da Política Externa e de Segurança Comum (PESC), a decisão exigiria a unanimidade dos Vinte e Sete, enquanto que, se for considerada uma medida de política comercial, poderia ser aprovada por maioria qualificada

Paralelamente, os ministros avaliarão a possibilidade de incluir na lista de sancionados os ministros israelenses Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, embora fontes diplomáticas admitam que há poucas chances de que esse ponto alcance o consenso necessário na segunda-feira, uma vez que a República Tcheca, a Bulgária e a Hungria se opõem.

SEGURANÇA NAS RELAÇÕES COM A CHINA

Para encerrar o CAE, os ministros se concentrarão nos aspectos de política externa e segurança das relações da UE com a China, bem como na dependência da indústria de defesa em relação a atores chineses ou nas cadeias de abastecimento da indústria de defesa e sua dependência da China.

Espera-se ainda que abordem informações dos serviços de inteligência da União Europeia que indicam que Pequim treinou soldados russos, alguns dos quais foram posteriormente destacados para a frente de guerra na Ucrânia, conforme informaram na sexta-feira altos funcionários do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE).

Segundo essas mesmas fontes, o treinamento foi realizado em várias instalações em território chinês e teria envolvido “centenas” de soldados russos, alguns dos quais teriam acabado combatendo na invasão da Ucrânia, “contra os interesses coletivos” da União Europeia.

QUESTIONAMENTO DO PAPEL DE KALLAS

A reunião ocorre em um momento em que se debate a eficácia do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), já que há países como a França que expressaram sua insatisfação com o funcionamento da diplomacia europeia, enquanto outros Estados-membros reconhecem as dificuldades que Kallas enfrenta no cargo.

Entre elas, segundo fontes diplomáticas indicaram à Europa Press, estão as limitações decorrentes da unanimidade, ou seja, a exigência de que os 27 Estados-Membros cheguem a um consenso sobre uma mesma posição. Há também outras, como a repartição de competências entre as instituições europeias e o atual contexto internacional, marcado por um parceiro transatlântico, os Estados Unidos, com quem já não há o entendimento que costumava existir há alguns anos.

Kallas tem estado no centro das críticas nos últimos meses por sua ênfase marcante na resposta europeia à invasão russa da Ucrânia, enquanto alguns Estados-membros questionaram a falta de iniciativa em outros cenários, como o Oriente Médio, em pleno debate sobre o papel que o serviço diplomático da UE deve desempenhar.

Na sexta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apoiou o trabalho da Alta Representante, argumentando que o SEAE faz parte das instituições que executam as políticas da UE e, portanto, lhe presta seu apoio, conforme indicou em uma coletiva de imprensa em Bruxelas a porta-voz-chefe do Executivo comunitário, Paula Pinho.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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