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A ONU "condena veementemente" as ações das forças israelenses e fala da "clara violação de suas obrigações" por parte de Israel.
MADRID, 19 fev. (EUROPA PRESS) -
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) denunciou nesta terça-feira o fechamento de quatro de seus centros educacionais em Jerusalém Oriental pelas autoridades israelenses, afetando pelo menos 350 estagiários e 250 crianças.
"Hoje, forças israelenses e funcionários da prefeitura de Jerusalém entraram à força no centro de treinamento da UNRWA em Kalandia e ordenaram sua evacuação imediata. Pelo menos 350 estudantes e 30 membros da equipe foram afetados. Foram lançados gás lacrimogêneo e granadas sônicas", disse o chefe da agência, Philippe Lazzarini.
Ele também relatou em sua conta na mídia social X que, pela manhã, três escolas da UNRWA foram notificadas e ordenadas a fechar, afetando 250 crianças. "Crianças e jovens em Jerusalém Oriental privados de seu direito à educação nas escolas da UNRWA", lamentou.
Lazzarini apontou a ação das autoridades israelenses como uma "violação do direito básico à educação, bem como dos privilégios e imunidades das Nações Unidas". "O acesso das crianças à educação deve ser preservado. As instalações da ONU devem ser protegidas e respeitadas em todos os momentos, onde quer que estejam", disse ele.
O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, pediu em 25 de janeiro, em uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, o fim da presença da UNRWA em Jerusalém até o final do mês.
Por sua vez, o porta-voz de Guterres, Stephane Dujarric, transmitiu a "forte condenação" do secretário-geral da ONU à "violação da santidade das instalações da ONU na Jerusalém Oriental ocupada, incluindo o centro de treinamento Kalandia e a tentativa de entrar à força em três escolas da UNRWA para tentar fechá-las".
"O uso de gás lacrimogêneo e granadas sônicas em ambientes educacionais enquanto os alunos estão aprendendo é desnecessário e inaceitável", disse Dujarric, que insistiu que essas ações são "uma clara violação das obrigações de Israel sob a lei internacional, incluindo obrigações relacionadas aos privilégios e imunidades da ONU e de seu pessoal".
Ele afirmou que "a inviolabilidade das instalações da ONU deve ser respeitada em todos os momentos" e enfatizou que "as leis internas de Israel não alteram as obrigações legais internacionais nem podem fornecer qualquer justificativa para o não cumprimento".
Dujarric também disse que os representantes da ONU em Jerusalém se reunirão com as autoridades israelenses na quarta-feira para "protestar vigorosamente" contra o que aconteceu. "O que está claro é que, de acordo com a lei internacional, Israel, como potência ocupante, tem a responsabilidade de fornecer educação e segurança, se não permitir que a UNRWA o faça", disse ele.
Esses acontecimentos ocorrem em meio à crescente hostilidade israelense em relação ao papel da UNRWA, refletida em anos de acusações de supostas ligações com o Hamas e em uma campanha para desacreditar os pilares de sua fundação, pedindo que ela seja dissolvida e que seu trabalho seja assumido por outras agências da ONU e ONGs.
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