Europa Press/Contacto/Davide Bonaldo - Arquivo
MADRID 23 abr. (EUROPA PRESS) -
O órgão de fiscalização do Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira o início de uma auditoria sobre o tratamento e a divulgação dos arquivos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, depois que as vítimas do pedófilo denunciaram que seus dados pessoais foram publicados.
“Nosso objetivo preliminar é avaliar os processos do Departamento de Justiça para identificar, editar e divulgar os registros em seu poder, conforme exigido por lei”, indicou o Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Justiça (OIG) em um comunicado divulgado em seu site.
Especificamente, o órgão pretende revisar “a identificação, coleta e produção” do material pertinente; as diretrizes e os processos para “editar e reter” documentos, bem como “os processos para lidar com as preocupações” sobre sua publicação.
Os democratas da comissão de supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos acusaram o Departamento de ocultar arquivos que ligam o presidente, Donald Trump, a um suposto abuso sexual de uma menor, depois que o governo foi obrigado a publicar três milhões de documentos após a aprovação da Lei de Transparência no Congresso em novembro.
Entre eles, aparece um documento com um depoimento coletado pelo FBI no qual é mencionado o caso de uma mulher que afirmou ter sido estuprada pelo pedófilo quando tinha cerca de 13 anos, bem como abusada sexualmente por Trump, que lhe bateu no rosto enquanto a obrigava, supostamente, a praticar sexo oral nele.
Nesse mesmo documento, aparece outro depoimento não verificado de um motorista de limusine que levou Trump ao Aeroporto Internacional de Dallas-Fort Worth em 1995 e que ouviu o magnata se referir a Epstein, supostamente durante uma conversa telefônica, e também fazer referências sobre “abusar de alguma garota”.
O CASO EPSTEIN QUE DERRUBOU BONDI
A então procuradora-geral Pam Bondi teve que se pronunciar em meados de fevereiro, após uma audiência polêmica perante a comissão judicial da Câmara, na qual pediu desculpas às vítimas — mas apenas pelo sofrimento que Epstein lhes causou — e se comprometeu a “exigir responsabilidades” com “todo o rigor da lei”.
“Não há evidências de que Donald Trump tenha cometido qualquer crime”, afirmou Bondi, acrescentando que o interrogatório era “ridículo” e que os representantes democratas estavam “tentando desviar a atenção” de tudo o que foi conquistado durante o segundo mandato do magnata republicano.
Em uma audiência carregada de tensões, na qual estavam presentes várias vítimas, a deputada democrata por Washington, Pramila Jayapal, criticou o fato de o Departamento ter divulgado inicialmente os nomes das sobreviventes sem censura, com exceção de um deles, juntamente com “inúmeros arquivos” que revelavam “e-mails, endereços e fotografias de nudez” das afetadas, bem como a identidade de Jane Doe, que “ficou protegida durante décadas”.
Por sua vez, o deputado democrata por Nova York, Jerry Nadler, considerou “chocante” que o nome das vítimas não tenha sido ocultado, mas sim o de seus “agressores”. “Não sei se isso se deve à incompetência ou se foi deliberado e malicioso”, disse ele, acrescentando que é, igualmente, “preocupante” que as autoridades não tenham levado “nenhum dos perpetradores à justiça”.
Da mesma forma, o deputado democrata da Califórnia, Ted Lieu, acusou Bondi de mentir sob juramento, referindo-se a uma testemunha que ligou para o FBI para denunciar supostas acusações de agressão sexual contra Trump, conforme consta nos documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
“Há mais de mil vítimas de tráfico sexual e ela não responsabilizou nenhum homem. Que vergonha. Se tivesse um pouco de decência, renunciaria assim que esta audiência terminasse”, afirmou o deputado democrata.
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