Publicado 17/03/2025 16:17

Organizações da sociedade civil dos EUA questionam a deportação de cidadãos venezuelanos

O governo venezuelano e algumas vozes da oposição criticaram as expulsões para terceiros países.

Archivo - 15 de outubro de 2020, Miami, Flórida, Estados Unidos da América: MIAMI, FL - 15 DE OUTUBRO: O presidente dos EUA, Donald Trump, chega ao Aeroporto Internacional de Miami em 15 de outubro de 2020 em Miami, Flórida. O presidente foi recebido por
Europa Press/Contacto/SMG - Arquivo

MADRID, 17 mar. (EUROPA PRESS) -

A American Civil Liberties Union (ACLU), a principal organização de direitos civis dos Estados Unidos, acusou a Casa Branca, na segunda-feira, de não cumprir uma ordem do juiz federal James Boasberg, que proíbe a deportação de venezuelanos de acordo com o Enemy Alien Act, uma lei de 1798.

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva neste fim de semana que invocou poderes de guerra sob a lei para deportar rapidamente qualquer pessoa suspeita de pertencer ao grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua.

O processo não permite audiências e pode levar a deportações generalizadas de venezuelanos sem conexão comprovada com o Trem de Aragua, de acordo com organizações de direitos civis.

O juiz Boasberg bloqueou provisoriamente a ordem executiva, mas o governo Trump manteve pelo menos dois voos de deportação, denunciam grupos como a ACLU. Especificamente, eles apontam que a ordem judicial contempla "inequivocamente" o retorno dos aviões e exige que o executivo demonstre seu cumprimento.

"De acordo com informações publicamente disponíveis, parece que houve pelo menos dois voos que decolaram durante a audiência, mas aterrissaram mesmo depois da ordem escrita deste tribunal, o que significa que os réus poderiam ter mudado o avião sem entregar as pessoas", denunciou a ACLU em um comunicado.

"Mesmo que os aviões tenham saído do território dos EUA, as autoridades americanas mantêm a custódia pelo menos até que os aviões aterrissem e os indivíduos sejam entregues a governos estrangeiros", argumentou.

A Casa Branca rejeitou a acusação e deu a entender que Boasberg não tem autoridade nessa questão, apesar do fato de que os tribunais investigam rotineiramente a política de imigração.

"O governo não 'se recusou a cumprir' uma ordem judicial. A ordem, que não tinha base legal, foi emitida depois que os terroristas sob a Lei de Inimigos Estrangeiros já haviam sido removidos do solo americano. A ordem escrita e as ações do governo não entram em conflito", enfatizou, de acordo com a imprensa norte-americana.

Além disso, a Casa Branca enfatiza que "como a Suprema Corte deixou claro repetidamente: os tribunais federais geralmente não têm jurisdição sobre a conduta do presidente em assuntos estrangeiros, suas competências sob a Lei de Inimigos Estrangeiros e seus poderes primários do Artigo II para remover terroristas estrangeiros do solo dos EUA e repelir uma invasão declarada", enfatizou a porta-voz Karoline Leavitt em X.

"TERRENO MUITO PERIGOSO"

Um dos advogados da ACLU, Lee Gelernt, alertou que a administração está se movendo em "terreno muito perigoso". "Os tribunais federais têm a jurisdição e o dever de policiar o que o poder executivo faz se ele violar a lei. E é exatamente isso que está acontecendo. No final das contas, é um caso de separação de poderes", disse ele em uma mensagem publicada na mídia social.

Ele também lembrou que o Congresso deu esses poderes ao presidente "há mais de 200 anos". Ele só foi usado três vezes: na Guerra de 1812, na Primeira Guerra Mundial e na Segunda Guerra Mundial. "É um poder presidencial exclusivo e somente se um governo estrangeiro estiver envolvido, um país estrangeiro, se uma guerra tiver sido declarada. Não é isso que está acontecendo aqui, portanto o presidente excedeu seus poderes", argumentou.

Gelernt disse que os tribunais federais deveriam ser capazes de analisar se a Lei do Inimigo Estrangeiro está sendo usada ilegalmente e disse que eles pediram depoimentos sobre se a decisão do juiz federal foi violada por não virar os dois aviões. "Todas as indicações são de que eles não cumpriram a ordem judicial", disse ele.

O mais sério é o uso de poderes de guerra em tempos de paz. "Quando começamos a usar poderes de guerra em tempos de paz, entramos em uma ladeira muito escorregadia, uma ladeira muito perigosa", alertou o advogado da ACLU, que também denunciou o uso da base militar de Guantánamo, em Cuba, para prender imigrantes.

As deportações foram criticadas pelo governo venezuelano e também por algumas vozes da oposição, como Andrés Caleca e Ramón Guillermo Aveledo.

"A perseguição, a prisão e a deportação de venezuelanos nos EUA sem o devido processo, estigmatizados por sua origem, sem mais delongas, é uma aberração que não pode nos ser indiferente. Eu a condeno e me solidarizo com meus compatriotas, submetidos hoje a uma pinça impensável", publicou Caleca em sua conta na rede social X.

Aveledo, por sua vez, questionou a falta de garantias legais para deportar os venezuelanos para o Centro de Confinamento de Terrorismo (CECOT) em El Salvador, onde eles permanecerão por pelo menos um ano, de acordo com um acordo entre a Casa Branca e o governo de Nayib Bukele.

O líder do Primero Justicia, Juan Pablo Guanipa, enfatizou que a maioria dos venezuelanos no exterior são pessoas pacíficas e trabalhadoras. "O Trem de Aragua é uma organização criminosa liderada pelo regime de Maduro. Isso é uma realidade. Assim como também é uma imensa realidade que a grande maioria dos venezuelanos no exterior são pessoas trabalhadoras que só querem viver uma vida pacífica. Devemos nos lembrar de que o inimigo comum do mundo livre é (Nicolás) Maduro, não o povo venezuelano. E a melhor maneira de neutralizar o trem de Aragua é tirar Maduro", argumentou. Outras figuras da oposição, como María Corina Machado e Edmundo González, não comentaram essas notícias.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado