Ricardo Rubio - Europa Press - Arquivo
BRUXELAS 16 abr. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, não comparecerá na próxima semana ao Conselho Europeu informal que reunirá em Chipre os líderes da União, no que deveria ser seu último encontro de alto nível com os 27 após sua clara derrota eleitoral e depois que se soube que seu governo tem vazado informações confidenciais dessas reuniões para Moscou.
Orbán não comparecerá à cúpula informal, conforme antecipado pela emissora 'Euronews' e confirmado à Europa Press por fontes do governo húngaro, que precisaram que a decisão foi comunicada ao presidente do Conselho Europeu, António Costa.
A reunião marcada para os próximos dias 23 e 24 de abril em Chipre é uma cúpula informal da qual não podem sair decisões formais do bloco; por isso, o primeiro-ministro cessante, ocupado com suas obrigações de transferência de poderes, não considera necessário comparecer ao encontro dos Vinte e Sete.
Já é tradição que os líderes europeus façam algum gesto de despedida aos colegas que participam de sua última cúpula devido a uma mudança de governo — uma foto de grupo assinada pelo presidente do Conselho Europeu desde que Costa ocupa o cargo —, embora, nesta ocasião, Orbán tivesse que enfrentar a necessidade de dar explicações sobre as informações que apontam que sua equipe compartilhou documentos da UE com Moscou.
A tensão do resto da União com Budapeste já era elevada antes mesmo de um consórcio de jornalistas de investigação publicar áudios de conversas entre os ministros das Relações Exteriores da Hungria e da Rússia discutindo o que foi debatido em Bruxelas, depois que Orbán decidiu, na cúpula de março, manter o veto ao empréstimo europeu de 90 bilhões de euros à Ucrânia, apesar de meses antes ter se comprometido a levantar o bloqueio em troca de seu país não ter que arcar com o custo da ajuda — algo que os líderes concederam.
Os Vinte e Sete esperam que, com a mudança de governo, as relações com a Hungria voltem ao normal e que questões-chave no contexto da invasão russa da Ucrânia sejam agilizadas, incluindo o empréstimo e o vigésimo pacote de sanções; embora a Comissão Europeia tenha se mostrado cautelosa quanto aos prazos para desbloquear os cerca de 17 bilhões de euros em fundos de coesão e recuperação previstos para Budapeste, mas congelados devido à sua deriva antidemocrática.
O advogado conservador Péter Magyar rompeu em 2024 com o governo de Orbán, com quem trabalhou durante uma década, para criar o novo partido Respeito e Liberdade (Tisza), a partir do qual liderou a oposição e se impôs no último domingo, em eleições nas quais se impôs claramente ao somar apoios suficientes para formar uma maioria parlamentar de mais de dois terços.
Fontes consultadas pela Europa Press apontam para a primeira semana de maio como data de sua posse, quando o novo Parlamento se reunir pela primeira vez. O presidente da Hungria, Tamás Sulyok, já encarregou Magyar nesta quarta-feira de formar o novo Executivo, tarefa para a qual ele tem até 12 de maio, embora o líder do Tisza já tenha afirmado que não pretende esgotar esse prazo.
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