Europa Press/Contacto/Benoit Doppagne
MADRID 12 mar. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, denunciou ameaças contra ele e sua família por parte da Ucrânia, em meio à crescente tensão entre os dois países devido à guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia, além da reparação do oleoduto Druzhba, atacado no contexto do conflito, e que as autoridades húngaras exigem que seja paga por Kiev.
“Ouça, tenho certeza de que você verá nas notícias que os ucranianos ameaçaram não só a mim, mas também a você”, advertiu sua filha durante uma conversa telefônica, que tornou pública por meio de um vídeo nas redes sociais.
No vídeo, o presidente húngaro tentou tranquilizar sua filha, a quem exortou a “não ter medo”, embora tenha sublinhado que devem “levar a sério” as ameaças, sem especificar quais são as intimidações que recebeu.
Nos últimos dias, Hryhoriy Omelchenko, um antigo oficial dos Serviços Secretos ucranianos e ex-deputado do Parlamento ucraniano, enviou uma mensagem ao líder magiar, lembrando-lhe que “o karma não perdoa ninguém” em plena disputa pela sua “postura anti-Ucrânia” no contexto da guerra.
“Sabemos onde você mora, onde dorme, onde bebe vinho, por onde sai e com quem se encontra”, afirmou sobre Orbán, a quem classificou como “cúmplice” dos crimes de guerra do presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Isso se soma à ameaça velada feita pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, na semana passada, quando sugeriu a possibilidade de fornecer o número de Orbán às Forças Armadas da Ucrânia para “se comunicarem com ele em sua própria língua” em relação ao bloqueio húngaro de 90 bilhões de euros em ajuda da União Europeia.
O OLEODUTO DRUZHBA, NO CENTRO DAS TENSÕES
As tensas relações entre húngaros e ucranianos devido à guerra desencadeada pela Rússia, que tem a Hungria como principal aliada dentro da União Europeia, tornaram-se um tema de debate nacional com vista às eleições legislativas de 12 de abril, nas quais Orbán disputa a reeleição em eleições que se prevêem muito renhidas.
Essas tensões foram ainda mais agravadas pela ruptura do oleoduto Druzhba. De acordo com as autoridades húngaras, a reparação do oleoduto, fundamental para o abastecimento energético do país, é da responsabilidade de Kiev, que paralisou o abastecimento através do Druzhba depois de um ataque russo ter afetado as instalações, segundo a versão ucraniana.
O primeiro-ministro húngaro enviou nesta quarta-feira uma delegação à Ucrânia para avaliar o estado das instalações em Lviv. No entanto, Kiev minimizou a importância dessa delegação, que não considera como tal, uma vez que não tem reuniões oficiais marcadas.
A isso se soma a apreensão pela Hungria de bens do banco estatal ucraniano Oschadbank no valor de dezenas de milhões de euros, bem como nove quilos de ouro, em posse de sete de seus funcionários quando cruzavam o território magiar, cuja devolução Budapeste condicionou ao desbloqueio do Druzhba.
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