Sophie Hugon/EU Council/dpa - Arquivo
MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) - O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, acusou nesta terça-feira as autoridades ucranianas de provocar uma “emergência energética” ao atacar o oleoduto russo Druzhba, vital para o fornecimento de petróleo a países como Hungria e Eslováquia, e afirmou que se trata de uma “situação absurda”.
“Os fatos são fatos: não há obstáculos técnicos para retomar o transporte de petróleo através do oleoduto Druzhba para a Hungria. Basta uma decisão política da Ucrânia. Como sabem, sou um dos membros mais disciplinados do Conselho Europeu e compreendo as preocupações existentes”, afirmou Orbán em uma carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Nesse sentido, ele enfatizou que se trata de uma questão “absurda”. “Tomamos decisões financeiras favoráveis à Ucrânia que eu pessoalmente desaprovava. Depois, a Ucrânia provoca uma emergência energética na Hungria e agora querem que ajamos como se nada tivesse acontecido. Isso não é possível”, afirmou.
“Não estou em posição de apoiar uma decisão favorável à Ucrânia até que a situação se normalize”, concluiu, depois de o próprio Costa acusar Budapeste de quebrar uma “cooperação leal” entre as partes. O principal assessor político do primeiro-ministro, Balázs Orbán, aproveitou a situação para salientar que o país “não se deixará chantagear” por Kiev. “Não vamos ficar calados enquanto Bruxelas se coloca do lado da Ucrânia e contra o povo húngaro”, afirmou em uma mensagem divulgada nas redes sociais. “Na carta de Costa, o presidente do Conselho Europeu tentou pressionar a Hungria a aprovar um empréstimo milionário à Ucrânia e alertou para as consequências caso isso não acontecesse. O primeiro-ministro Orbán deixou claro que a Hungria não apoiará nenhuma decisão financeira favorável à Ucrânia enquanto esta tentar criar uma emergência energética bloqueando o transporte de petróleo”, afirmou. Além disso, ele enfatizou que “não existem obstáculos técnicos para restaurar esse fornecimento através do oleoduto Druzhba”. “Bloqueamos o empréstimo à Ucrânia e não votaremos nenhuma outra decisão a respeito se o presidente (Volodimir) Zelenski não tomar medidas sobre o assunto. Não importa quanta pressão seja exercida contra nós, se isso continuar assim, não entregaremos diesel, não apoiaremos a concessão desse empréstimo e não votaremos outro pacote de sanções”, advertiu.
A controvérsia em torno do ataque levou a Hungria a bloquear, na segunda-feira, o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia. O oleoduto Druzhba, o mais longo do mundo e principal via de transporte de petróleo russo para a Europa, está na mira da Ucrânia, que o atacou várias vezes durante a guerra.
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