MADRID, 9 abr. (EUROPA PRESS) -
A posse, em janeiro, do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, contra os critérios da maior parte da comunidade internacional, levou a oposição a uma nova fase de "reorganização" que, nas palavras do coordenador do Comando Con Venezuela Mundo, Pedro Antonio de Mendonça, envolve assumir que no país sul-americano já existe um "regime nu", um conceito que ele espera que também seja entendido pelo governo e pelas empresas na Espanha.
De Mendonça, que está exilado em Portugal desde o final de 2024, explicou em uma entrevista em Madri para a Europa Press que a Venezuela enfrenta agora "uma nova fase", na qual "ninguém duvida" que Edmundo González foi o vencedor das últimas eleições presidenciais. Nicolás Maduro, adverte, só pode tentar "sequestrar o país", o que se traduz, entre outras coisas, na prisão de quase mil presos políticos.
Esse líder oposicionista, que passou a coordenar as atividades do partido de María Corina Machado no estado de Guárico, afirma que "Maduro não obteve nenhuma vitória desde julho", apesar de, na prática, continuar a manter as rédeas políticas de um país que agora precisa enfrentar uma nova fase de pressão dos Estados Unidos.
O governo de Donald Trump ameaçou sancionar os países que continuarem a comercializar o petróleo venezuelano, um aviso que colocou a Espanha e, em particular, empresas como a Repsol, em alerta. Para De Mendonça, essas medidas são "um grande golpe", pois visam a fechar a torneira dos fundos que acabam servindo ao "sistema de propaganda e repressão".
Por esse motivo, ele apela para a "solidariedade internacional", argumentando que uma mudança política na Venezuela também tem repercussões positivas além de suas fronteiras. Ele reconhece que as polêmicas eleições de 2024 serviram pelo menos para consolidar a ideia de que "essa não é uma luta de esquerda ou de direita", mas sim uma batalha comum por liberdades e direitos básicos, e destaca os movimentos de líderes como o chileno Gabriel Boric, o colombiano Gustavo Petro e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
"No fim das contas, a Venezuela representa uma grande oportunidade", explica, aludindo, por exemplo, às possibilidades de investimento que se abririam em um país "com regras claras" e sem "um maluco" capaz de anunciar expropriações. "É melhor para qualquer empresa de qualquer país fazer negócios na Venezuela em um regime de liberdades, com segurança jurídica, com serviços, com respeito às regras", resume.
A ESPANHA "PODERIA TER FEITO MAIS".
Em nível político, ele acredita que o governo espanhol "poderia ter feito mais". Assim, embora reconheça gestos como o asilo concedido ao candidato presidencial Edmundo González, ele pede mais pressão sobre outros eventos específicos, como a situação dos cinco opositores que permanecem refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, por exemplo, com uma "visita humanitária" da diplomacia espanhola.
De Mendonça também pede intercessão para que González assuma a presidência e Machado veja seus "direitos políticos restaurados" - ela está inabilitada para ocupar cargos públicos, o que a impediu de participar do último processo eleitoral. Apesar de tudo isso, tanto González quanto Machado permanecem, teoricamente, como os principais porta-estandartes da oposição.
Se "o objetivo não foi alcançado", "não foi por falhas de liderança", enfatiza De Mendonça, que dá apoio "absoluto" à continuidade de Machado e defende o fato de González "ser muito ativo", apesar de ter um perfil mais discreto - são "estilos diferentes", ressalta. O ex-candidato fez, de fato, uma turnê internacional em busca de compromissos e apoio, mas "não é algo que se consiga de um dia para o outro".
RUMO À "TRANSIÇÃO
O chavismo já deixou claro que não quer abrir mão do poder, enquanto a oposição dá como certo que nada voltará a ser como era antes de 28 de julho. "Apesar do horror, os venezuelanos estão melhores hoje", diz De Mendoça, que, no entanto, não considera que o governo esteja morto e ainda esteja lutando a batalha: "Sua fraqueza o torna perigoso".
Ele tampouco fecha a porta para o diálogo, um caminho que, como ele ressalta, a oposição nunca descartou. O líder da Vente Venezuela enfatiza que esse processo não pode servir "para dissuadir e enfraquecer as forças democráticas, para desmoralizar os cidadãos", mas deve ter pontos claros e incluir "termos e condições para a saída do regime do poder".
Sobre a possibilidade de uma anistia para Maduro ou outros funcionários chavistas de alto escalão, De Mendonça afirma que, em qualquer negociação, as partes sempre têm que "ceder", mas evita estabelecer linhas vermelhas e enfatiza que, independentemente dos "detalhes", o que tem que ficar claro é a estrutura geral e o horizonte de "um processo de transição".
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