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Bullrich afirma que o Cryptogate é um estratagema para "tentar derrubar o presidente".
MADRID, 16 fev. (EUROPA PRESS) -
O principal grupo parlamentar de oposição da Argentina, Unión por la Patria (UxP), anunciou que apresentará um pedido de processo de impeachment contra o presidente Javier Milei por promover a criptomoeda $LIBRA e denunciou um possível "golpe" perpetrado pelo presidente.
"O envolvimento de (Javier) Milei em um crime de fraude de criptografia é de enorme gravidade. É um escândalo sem precedentes", disse UxP.
A líder da UxP, Cristina Kirchner, destacou Milei por ser "o gancho de um golpe digital". "Desta vez, o 'Che Milei' não vai porque, na verdade, nunca na história se viu algo assim", começa a extensa mensagem de Kirchner publicada no X.
"De Hayek você foi para Ponzi e foi para a grama errada. A partir de sua conta oficial no X, você promoveu uma criptomoeda privada, criada sabe-se lá por quem. Você inflacionou seu valor, aproveitando-se de sua investidura presidencial", denunciou o ex-presidente. "Milhares confiaram em você, compraram alto e, em questão de horas, perderam milhões, enquanto alguns (aposto que eram todos libertários) fizeram fortunas com informações privilegiadas", acrescentou.
"Veja aonde sua loucura nos levou! Você transformou a Argentina em um cassino onde o crupiê é o próprio presidente", disse Kirchner.
Kirchner censurou Milei dizendo que "essa é a sua liberdade de mercado, a do cassino". "Sua máscara caiu. E pensar que, da cadeira Rivadavia, você chama de 'inúteis', 'incompetentes' e 'babuínos' todos aqueles que não se alinham com o que você diz, quando, na realidade, quem é realmente incompetente para ocupar essa cadeira é você", argumentou.
Por outro lado, a Frente de Esquerda (FIT) anunciou uma resolução para exigir "imediatamente" a presença de Milei na Câmara dos Deputados para oferecer "denúncias verbais" sobre a "escandalosa promoção de um golpe milionário em suas redes sociais na última sexta-feira".
Para o presidente da Coalizão Cívica, Maximiliano Ferraro, Milei poderia ter cometido crimes de acordo com as leis de Ética Pública e Instituições Financeiras. "O que aconteceu pode constituir crimes de lavagem de dinheiro, fraude e/ou estelionato, que a UIF não pode ignorar", publicou na rede social X.
RESPOSTA DO PARTIDO NO PODER
Os partidos que apóiam Milei e o próprio governo quase não reagiram, com exceção da ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que inverteu a situação para apresentar Milei como vítima.
"O que aconteceu ontem à noite foi uma bomba atômica para tentar derrubar o presidente com um estilingue", de acordo com Bullrich. "Impedir o presidente é uma coisa sem noção. Ele tem o direito de apoiar empreendimentos", acrescentou ela. "Acho que o presidente toma decisões conscientemente, mas eles chegaram a pedir o impeachment e isso é um pouco exagerado", insistiu.
"É a intenção de atingir o presidente por aqueles que tentam derrubá-lo todos os dias", de acordo com Bullrich, que enfatizou que a empresa de criptomoeda promovida por Milei trabalhou com a Cidade de Buenos Aires. "Isso não surgiu do nada", disse ele.
De acordo com o site oficial do Projeto Viva La Libertad, o token $LIBRA prometia financiar projetos locais por meio de um formulário de registro on-line. Entretanto, não especificava critérios de seleção ou detalhes técnicos sobre a distribuição de fundos, o que gerou dúvidas.
A $LIBRA é, na verdade, uma moeda meme, um termo que se refere a uma criptomoeda criada como uma piada para entretenimento ou tendências da Internet, e é caracterizada por sua falta de apoio na economia real.
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