Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov
MADRID 19 fev. (EUROPA PRESS) - O operador nuclear estatal da Rússia afirmou nesta quinta-feira que o país euro-asiático estaria disposto a aceitar o urânio enriquecido do Irã caso haja um acordo nesse sentido com os Estados Unidos nas negociações indiretas para tentar chegar a um novo pacto sobre o programa nuclear de Teerã.
O diretor executivo da Rosatom, Alexei Lijachev, afirmou que a Rússia estaria disposta a aceitar esse urânio enriquecido, caso haja um acordo, e lembrou que Moscou tem experiência prévia nesse tipo de operação, segundo informou a agência de notícias russa Interfax.
Até o momento, o Irã rejeitou a transferência para fora do país de suas reservas de urânio enriquecido, conforme exigido pelos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que vinculou uma redução dos níveis de enriquecimento à retirada das sanções impostas por Washington contra o país asiático.
Assim, o vice-presidente do Irã, Mohamed Eslami, que também é diretor da Organização para a Energia Atômica do Irã (OEAI), afirmou em 9 de fevereiro que a possibilidade de retirar o urânio enriquecido do país é uma questão que “nunca esteve na agenda”. “Isso não foi discutido nas negociações”, disse ele, após uma primeira rodada de contatos em Omã, seguida por conversas na Suíça. O Kremlin alertou nesta quinta-feira sobre o “aumento sem precedentes” das tensões no Oriente Médio e pediu contenção aos Estados Unidos e ao Irã, em meio ao envio de tropas americanas para o Oriente Médio, apesar das últimas conversas para tentar chegar a um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano, em meio às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de um possível ataque caso a via diplomática não dê frutos.
Trump, que inicialmente ameaçou com uma intervenção militar pela repressão dos últimos protestos no Irã, passou posteriormente a enquadrar suas advertências no programa nuclear iraniano, que Teerã afirma ter fins exclusivamente pacíficos e que sofreu um duro golpe com os bombardeios israelenses e americanos em junho de 2025, que deixaram mais de 1.100 mortos no país asiático.
Até o momento, Teerã tem demonstrado desconfiança em reabrir as negociações com Washington devido à referida ofensiva, uma vez que ela ocorreu em meio a um processo diplomático entre o Irã e os Estados Unidos para chegar a um novo acordo nuclear, depois que o acordo assinado em 2015 ficou sem conteúdo após a retirada unilateral do país norte-americano em 2018 por decisão do próprio Trump.
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