KIKE RINCÓN - EUROPA PRESS
10 voluntários viverão juntos em um barco montado na Plaza del Mar até domingo à noite.
BARCELONA, 12 dez. (EUROPA PRESS) -
O fundador e diretor da Open Arms, Òscar Camps, e o diretor artístico da La Fura dels Baus, Pep Gatell, apresentaram nesta sexta-feira a ação solidária e experiencial '3 dias, 3 noites', na qual encenarão uma experiência em um barco com 10 voluntários na Plaça del Mar de Barcelona.
Em uma coletiva de imprensa, Camps explicou que a encenação, em colaboração com a Epic Foundation, não é um show nem ficção, mas "uma janela para a realidade que acontece todos os dias" a poucos quilômetros da costa de Barcelona.
É uma ação de conscientização na qual 10 pessoas viverão juntas por três dias, até domingo à noite, expostas ao frio e ao olhar do público, com o objetivo de aproximar uma realidade que milhares de pessoas vivenciam todos os anos em sua tentativa de chegar à Europa.
Camps acrescentou que eles querem lembrar que "o que é discutido aqui como uma questão política, para outros é uma questão de vida ou morte".
UMA VERDADEIRA PÁTRIA
O barco é real, recuperado de uma das travessias, e até 60 pessoas viajaram nele por cinco dias: "Depois, quando os resgatamos, eles não conseguiam nem se mexer", disse Camps, que criticou o fato de as ONGs fazerem o trabalho que, segundo ele, deveria ser feito pelos Estados por obrigação.
A ação, sem roteiro ou interrupções, pode ser acompanhada pessoalmente e por meio de uma transmissão ao vivo, e quem quiser pode comprar um ingresso solidário pelo site da Open Arms e pela plataforma Atrápalo.
Camps lembrou que, nos últimos 10 anos, a Open Arms resgatou mais de 73.000 pessoas, e que o número total de pessoas que chegam de barco à costa mediterrânea europeia está entre 40.000 e 100.000.
Ele também criticou as políticas migratórias da União Europeia: "De um escritório com aquecimento e ar condicionado, e em um Excel, não se sabe o que é uma patera, e essas são decisões que não estão na fronteira de um país, mas na fronteira da vida e da morte".
TORNANDO VISÍVEL E EXPLICANDO
Gatell explicou que as pessoas que viverão no barco são voluntárias, que querem viver a experiência para poderem explicar suas experiências.
"Isso vem ocorrendo há 1.000, 2.000 e 3.000 anos. Há conflitos, há poderes que se aproveitam das pessoas. Há pessoas que têm de deixar o lugar onde nasceram por causa de qualquer problema. O presépio que temos em casa é um exemplo disso", disse Camps.
Um dos voluntários, Andreu, explicou que o objetivo é "tornar visível" a situação e que, para se preparar, eles conversaram com uma pessoa que atravessou o Mediterrâneo em um barco, que lhes contou suas experiências.
Rafa e Santiago, também voluntários, enfatizaram que o que eles vivenciarão "não é nem a milésima parte" do que os migrantes passam e que, embora tenham medo de participar de uma ação como essa, esperam ser muito bem recebidos.
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