Publicado 09/07/2026 10:02

A OPAQ aprova a restauração dos “direitos e privilégios” da Síria, suspensos em 2021 devido às violações cometidas por Al Assad

O órgão considera que houve “uma mudança significativa nas circunstâncias” após a queda do regime do ex-presidente

Archivo - Arquivo - 18 de outubro de 2020, Haia, França, Países Baixos: Haia, Países Baixos, 18 de outubro de 2020 - Vista externa da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) ..OPCW, ORGANISATION POUR L’INTERDICTION DES ARMES CHIMIQUES, ILL
Europa Press/Contacto/Vincent Isore - Arquivo

MADRID, 9 jul. (EUROPA PRESS) -

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) aprovou nesta quinta-feira uma proposta para restabelecer os “direitos e privilégios” da Síria no seio do órgão, após sua suspensão em 2021, ao considerar que ocorreu “uma mudança significativa nas circunstâncias” após a queda, em dezembro de 2024, do regime de Bashar al Assad devido a uma ofensiva de jihadistas e rebeldes.

O órgão informou que a proposta foi apresentada por 67 Estados-partes e acrescentou que foi adotada por consenso, o que significa que Damasco recupera seu direito de voto no órgão após tê-lo perdido em 2021, quando o regime de Al Assad “não declarou a totalidade de seu programa de armas químicas” e “utilizou esse tipo de armamento no contexto da guerra civil desencadeada em 2011”.

“Ambos os fatos constituem graves violações das obrigações da Síria nos termos da Convenção sobre Armas Químicas”, lembrou a OPAQ, que ressaltou que “após a queda do regime de Al Assad, as novas autoridades sírias se comprometeram a cumprir suas obrigações nos termos da Convenção”. “Desde então, elas tomaram medidas concretas para cooperar com o Secretariado Técnico a fim de alcançar esse objetivo”, acrescentou.

O órgão elogiou os avanços de Damasco nas questões pendentes relacionadas ao programa de armas químicas, incluindo a facilitação das atividades de verificação e os “passos iniciais” para a destruição de resíduos de armas químicas, ao mesmo tempo em que incentivou as autoridades a manterem “uma cooperação positiva” para “encerrar o legado do antigo regime”.

“Essas decisões refletem o progresso tangível alcançado por meio da cooperação contínua e do diálogo construtivo entre o Secretariado Técnico (da OPAQ) e a Síria, com o apoio da ampla comunidade de Estados-partes”, destacou o diretor-geral do órgão internacional, Fernando Arias, segundo um comunicado.

“As decisões fornecem uma base sólida para avançar para a próxima fase das atividades de verificação e destruição, sob a égide do Conselho Executivo, e marcam mais um marco nos esforços da OPAQ para alcançar a eliminação completa e verificada de todas as armas químicas remanescentes associadas ao antigo governo sírio”, afirmou.

Por fim, Arias enfatizou que “a Secretaria Técnica continuará prestando assistência às autoridades sírias para que cumpram todas as obrigações da Síria nos termos da convenção”, sem que as autoridades sírias, lideradas por Ahmed al Shara, tenham se pronunciado até o momento sobre essa medida tomada pelo órgão internacional.

A SUSPENSÃO DE DIREITOS

A decisão da OPAQ de suspender alguns direitos e privilégios de Damasco no âmbito do órgão ocorreu em abril de 2021, cerca de uma semana após acusar a Síria de um ataque com armas químicas em fevereiro de 2018 na cidade de Saraqib — acusação rejeitada pelo governo sírio, que afirmou que ela se baseava em “fatos inventados”.

A OPAQ, que supervisionou justamente a eliminação do arsenal químico na Síria com o conflito já em andamento, determinou que havia “indícios razoáveis” para supor que, em 4 de fevereiro de 2018, às 21h22 (hora local), um helicóptero da Força Aérea síria lançou “pelo menos um cilindro” com gás cloro sobre Saraqib.

Dessa forma, já somam dois os relatórios elaborados por uma equipe da OPAQ cuja principal missão é identificar os possíveis responsáveis pelo uso de armas químicas na Síria e que aplica no terreno a ampliação do mandato da organização, que inicialmente não tinha competência para atribuir culpas.

Em seu primeiro relatório, publicado em 2020 e referente a fatos ocorridos em março de 2017 na região de Hama, os especialistas também concluíram que o regime de Al Assad havia utilizado armamento químico proibido, especificamente gás sarin e cloro — acusações igualmente rejeitadas por Damasco, que desacreditou as conclusões e as associou a pressões de países ocidentais.

Al Assad fugiu da Síria em dezembro de 2024 diante do avanço em direção a Damasco de jihadistas e rebeldes liderados pelo Haya Tahrir al Sham (HTS), considerado um grupo terrorista e então liderado por Al Shara, que desde então tem promovido uma aproximação com o Ocidente —especialmente aos Estados Unidos—, o que também lhe rendeu críticas por parte de fundamentalistas que, até então, eram seus aliados.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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