Publicado 06/01/2026 07:29

ONU rejeita justificativas dos EUA para ataque à Venezuela

Volker Turk, Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, Suíça, em dezembro de 2025 (arquivo).
Europa Press/Contacto/Eric Dubost

Turk reitera que a ofensiva "mina" o direito internacional e enfatiza que "a sociedade venezuelana precisa se curar".

MADRID, 6 jan. (EUROPA PRESS) -

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, denunciou nesta terça-feira que o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela "mina" os princípios do direito internacional sobre evitar o uso da força para resolver disputas e rejeitou as justificativas de Washington para essas ações.

"A operação militar dos EUA na Venezuela mina um princípio fundamental do direito internacional: os Estados não devem usar a força para promover suas reivindicações territoriais ou demandas políticas", disse ele, após um ataque que resultou em dezenas de mortes e na captura do presidente venezuelano Nicolas Maduro.

Ele enfatizou que "a sociedade venezuelana precisa se curar" e que "o futuro do país deve ser decidido por seu povo", depois que a até então vice-presidente, Delcy Rodríguez, assumiu como presidente interina após a captura de Maduro, que na segunda-feira compareceu a um tribunal de Nova York sob a acusação de narcoterrorismo.

Nessa linha, a porta-voz do gabinete de Turk, Ravina Shamdasani, disse que Turk está "profundamente preocupado" com a situação na Venezuela após a "operação militar" dos EUA e reiterou que "está claro" que ela "mina" o princípio do direito internacional mencionado anteriormente.

"Os EUA justificaram sua intervenção citando o longo e terrível histórico de direitos humanos do governo venezuelano, mas a responsabilização por violações de direitos humanos não pode ser alcançada por meio de intervenção militar unilateral em violação ao direito internacional", argumentou.

Shamdasani enfatizou que "o povo venezuelano merece ser responsabilizado por meio de um processo justo e centrado nas vítimas" e lamentou que "os direitos do povo venezuelano tenham sido violados por tempo demais". "Tememos que a atual instabilidade e a maior militarização do país como resultado da intervenção dos EUA só piorem a situação", disse ele.

A esse respeito, ele advertiu que "o estado de emergência declarado pelas autoridades venezuelanas, que entrou em vigor no sábado, levanta preocupações ao autorizar restrições à livre circulação de pessoas, o confisco de bens necessários para a defesa nacional e a suspensão do direito de reunião e protesto, entre outras medidas".

Ele, portanto, conclamou os Estados Unidos e a Venezuela, "bem como a comunidade internacional", a "garantir o pleno respeito ao direito internacional, incluindo os direitos humanos", ao mesmo tempo em que insistiu que "o futuro da Venezuela deve ser determinado exclusivamente pelo povo venezuelano, com pleno respeito aos seus direitos humanos, incluindo o direito à autodeterminação e à soberania sobre suas vidas e recursos".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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