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MADRID 30 maio (EUROPA PRESS) -
O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, reafirmou nesta sexta-feira a posição das Nações Unidas em relação ao futuro da Faixa de Gaza, depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, manifestou sua intenção de ampliar o controle sobre o enclave até conquistar aproximadamente 70% de seu território.
Questionado sobre essas declarações em uma coletiva de imprensa, o porta-voz elogiou a postura da organização sem meias palavras: “Todo o território de Gaza deve pertencer ao povo palestino. É isso que queremos que aconteça, e temos instado Israel a retirar suas forças de ocupação da chamada linha amarela, e essa continuará sendo nossa postura”, afirmou.
Dujarric evitou, no entanto, fazer avaliações políticas diretas sobre as intenções do governo israelense, remetendo-se à posição já reiterada da ONU sobre a necessidade de retirada das forças israelenses das zonas ocupadas.
ATAQUE PRÓXIMO A INSTALAÇÕES HUMANITÁRIAS
Nesse contexto, o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) notificou um ataque aéreo israelense durante a noite que atingiu uma área residencial de Deir al-Balah, localizada a menos de 200 metros de cinco instalações humanitárias. Segundo esses dados, não houve vítimas.
O incidente ocorreu logo após uma ordem militar israelense que os instava a permanecer em seus postos e, embora não tenha havido feridos entre o pessoal humanitário, as organizações estão avaliando os danos materiais na área.
Nesse contexto, a ONU não fez senão insistir que a proteção de civis e de trabalhadores humanitários deve ser garantida em todos os momentos, independentemente do contexto do conflito. No entanto, lamentou que a continuidade desses programas dependa da disponibilidade de combustível, espaços seguros, pessoal suficiente e recursos básicos.
Essas declarações surgem depois que Netanyahu afirmou nesta quinta-feira que havia dado ordem ao Exército israelense para assumir o controle de 70% da Faixa de Gaza, além da chamada 'linha amarela' para a qual as tropas israelenses se retiraram no âmbito do acordo alcançado em outubro do ano passado com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) para aplicar a primeira fase da proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Netanyahu foi interrompido por um membro da plateia que defendeu que Israel deveria tomar “100%” do enclave palestino, ao que o primeiro-ministro respondeu mantendo seu objetivo, por enquanto. “Primeiro os 70%, vamos começar por aí”, afirmou, apontando para uma área significativamente maior do que aquela que deveria controlar nos termos do acordo.
O Ministério da Saúde de Gaza informou nesta mesma quinta-feira que, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, foram confirmados 922 mortos e 2.786 feridos, enquanto 781 corpos foram recuperados das áreas das quais as forças israelenses se retiraram, agora presentes na chamada “linha amarela”, que cobre mais de 50% do território do enclave palestino.
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