Eskinder Debebe/UN Photo/dpa - Arquivo
MADRID 10 ago. (EUROPA PRESS) -
As Nações Unidas instaram nesta segunda-feira a que se ponha fim à “escalada” no Iêmen e se protejam os civis e a infraestrutura civil, após os recentes ataques perpetrados pelos rebeldes houthis contra o porto da cidade de Mocha, na costa do Mar Vermelho, que deixaram pelo menos sete mortos e cerca de trinta feridos.
“Estou profundamente preocupado com os recentes ataques do Ansarulá — nome oficial dos houthis — em Moca, que supostamente causaram vítimas civis e militares e danos à infraestrutura, incluindo o porto”, alertou o enviado especial das Nações Unidas para o Iêmen, Hans Grundberg, em um comunicado.
Os ataques contra Moca, uma localidade de importância capital devido à sua proximidade com o estratégico estreito de Bab el Mandeb, colocaram “em risco” os civis tanto na cidade quanto em Marib e em outros pontos do país. “Essa escalada deve ser interrompida e os civis e a infraestrutura civil devem ser protegidos”, acrescentou.
Esse aumento das hostilidades no país asiático é o mais significativo “desde o cessar-fogo negociado pela ONU em 2022”, o que, na opinião de Grundberg, “aumenta o risco de um retorno ao conflito em grande escala no Iêmen”.
“Apelo às partes para que exerçam a máxima moderação e trabalhem com meu escritório em medidas concretas para reduzir a escalada e impedir uma maior erosão do que o cessar-fogo conseguiu para os civis iemenitas. Este conflito só pode ser encerrado de forma sustentável por meio de um processo político inclusivo, e a escalada está levando o Iêmen na direção oposta”, concluiu.
Os houthis assumiram a autoria do ataque em Mocha e justificaram que o porto abrigava militares e depósitos de armas enviadas pela Arábia Saudita, grande aliada do governo internacionalmente reconhecido neste longo conflito, bem como em resposta a ataques anteriores do Exército iemenita contra a cidade portuária de Hodeida, sob controle dos insurgentes.
Os ataques das últimas horas não se limitaram apenas a Moca. Outro ataque com drones atingiu a refinaria da gigante petrolífera saudita Aramco em Jizán, um porto localizado no sudoeste da Arábia Saudita e próximo à fronteira com o Iêmen, onde ocorreu um incêndio, embora não tenha havido vítimas.
O ministro da Informação do Iêmen, Moamar al Eryani, afirmou que o ataque representa uma escalada de extrema gravidade e disse que a ameaça da milícia huti não se limita mais ao interior do Iêmen, mas se tornou um perigo direto para a segurança e a estabilidade regional e internacional, bem como para a liberdade de navegação e comércio no Mar Vermelho”.
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