Publicado 02/01/2026 09:07

ONU pede que Israel retire projeto de lei para impor pena de morte a palestinos em vários casos

Archivo - Arquivo - 17 de outubro de 2024, Nova York, Nova York, Estados Unidos: O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, informa a mídia sobre os conflitos mundiais e como eles afetam os direitos humanos nesses locais na sede da ON
Europa Press/Contacto/Lev Radin - Arquivo

Turk diz que o projeto de lei é "discriminatório" e levanta "outras preocupações" em nível de direitos humanos

MADRID, 2 jan. (EUROPA PRESS) -

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu nesta sexta-feira às autoridades israelenses que retirem o projeto de lei que prevê a imposição obrigatória de penas de morte a palestinos pelo assassinato de israelenses, argumentando que a proposta é um golpe contra o Direito Internacional.

"A ONU é muito clara sobre a pena de morte e se opõe a ela em todas as circunstâncias", disse Turk, que enfatizou que "é profundamente difícil conciliar essa punição com a dignidade humana e, portanto, cria o risco inaceitável de executar pessoas inocentes".

Ele enfatizou que a lei proposta "levanta outras preocupações em relação aos direitos humanos, inclusive porque é discriminatória, pois se aplica exclusivamente aos palestinos", de acordo com uma declaração emitida por seu escritório, que lembrou que o projeto de lei altera a lei militar aplicável à Cisjordânia para exigir que os tribunais militares imponham a pena capital obrigatória por assassinato.

O texto também alteraria o Código Penal para introduzir a pena de morte para o assassinato de israelenses como um "ato de terrorismo", incluindo a aplicação retroativa aos condenados pelos ataques de 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos e quase 250 sequestrados, de acordo com as autoridades oficiais israelenses.

A proposta também prevê a pena capital para atos vagamente definidos de "terrorismo, racismo ou hostilidade contra o público", que o escritório de Turk lembra que viola o direito internacional de várias maneiras, inclusive no que diz respeito a processos criminais e à imposição da pena de morte a residentes de um território ocupado.

Nesse sentido, Turk enfatizou que negar a qualquer palestino residente na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza as garantias de um julgamento justo, conforme previsto na Quarta Convenção de Genebra, equivale a um crime de guerra, razão pela qual ele exige que o projeto, que já foi aprovado em várias leituras no Parlamento israelense, seja descartado.

O projeto apresentado pelo partido de extrema direita Otzma Yehudit foi defendido publicamente em várias ocasiões pelo líder do partido e Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que chegou a usar um broche com uma corda dourada para representar que "os terroristas merecem morrer".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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