Publicado 20/03/2026 02:27

A ONU manifesta preocupação e repúdio às restrições impostas ao seu trabalho por um grupo dissidente das FARC

Archivo - Arquivo - 16 de abril de 2023, San Vicente del Caguan, Caquetá, Colômbia: Membros da guerrilha das FARC-EP empunham armas de fogo durante o anúncio feito pelo Estado-Maior Central (EMC) das FARC sobre o início das negociações de paz com o govern
Europa Press/Contacto/Sebastian Marmolejo

MADRID 20 mar. (EUROPA PRESS) -

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Colômbia manifestou nesta quinta-feira sua “preocupação” e “repulsa” em relação às restrições anunciadas pelo Estado-Maior Central (EMC), principal facção dissidente das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ao exercício de suas atividades, restrições que também se estendem à Missão de Apoio ao Processo de Paz da Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Defensoria do Povo.

“A coordenadora residente e humanitária (Mireia Villar) expressa sua profunda preocupação e repulsa diante dos recentes anúncios sobre possíveis restrições de acesso”, assinalou a ONU Colômbia em um comunicado no qual alertou que tais limitações “afetam” o trabalho de acompanhamento, monitoramento e proteção que essas instituições desenvolvem em favor da população civil.

Nesse sentido, a organização também alertou que essas restrições “limitam a capacidade de melhorar as condições de vida das comunidades mais vulneráveis e de prestar assistência essencial de maneira oportuna”.

Por isso, após assegurar que as organizações humanitárias se regem pelos princípios de “humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência”, sendo sua “observância e respeito” elementos “fundamentais” para “evitar confusões que possam resultar em restrições de acesso”, a ONU apelou para que se respeite “plenamente” o espaço humanitário e se garanta o acesso “seguro, oportuno e sem restrições para todas as instituições”.

Da mesma forma, o Departamento de Direitos Humanos da ONU reiterou seu apelo a “todos os grupos armados não estatais” para que respeitem as obrigações decorrentes do Direito Internacional Humanitário, o que, como lembraram, “inclui a obrigação de respeitar a vida, a liberdade e a livre circulação da população em geral, incluindo todos os funcionários civis do Estado e todas as pessoas que integram organismos internacionais e da sociedade civil que trabalham em zonas de conflito”.

AS RESTRIÇÕES ANUNCIADAS PELO EMC

Foi nesta quarta-feira que a Secretaria do Estado-Maior Central das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo divulgou um comunicado no qual indicava que considerava “restrita” a entrada dessas missões nos territórios onde desenvolvem sua “ação política e militar”.

Tal medida, ressaltou o EMC, liderado por Néstor Gregorio Vera, conhecido como 'Iván Mordisco', obedece a "graves violações de confiança e neutralidade" porque, segundo eles, "ações humanitárias e de verificação" haviam "sido utilizadas para obter informações" sobre suas posições, "facilitando operações militares" contra eles.

“A Defensoria emitiu alertas precoces manipulados por seus responsáveis regionais, que desconhecem ou ignoram a realidade territorial, semeando pânico e aversão contra as FARC-EP e servindo de justificativa para operações militares”, observou o comunicado, informando que, doravante, “apenas manterão missões humanitárias com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)”, desde que, precisaram, garantam “neutralidade absoluta, sigilo e confidencialidade”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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