Publicado 25/07/2026 02:37

A ONU exige uma redução imediata da tensão após os novos ataques dos houthis no Mar Vermelho

Archivo - Arquivo - 15 de abril de 2026, Washington, D.C., Virgínia, EUA: O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa durante o evento “Water Forward – Impulsionando Empregos e Prosperidade”, realizado no âmbito das Reuniões de Primavera de 2026
Europa Press/Contacto/Gent Shkullaku - Arquivo

MADRID 25 jul. (EUROPA PRESS) -

As Nações Unidas manifestaram nesta sexta-feira sua crescente preocupação com a retomada dos ataques dos rebeldes houthis contra embarcações mercantes que navegam pelo Mar Vermelho e alertaram que esses incidentes podem agravar a instabilidade no Oriente Médio, além de comprometer as perspectivas de paz no Iêmen.

Em um comunicado divulgado por Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, este se mostrou “profundamente alarmado” com o retorno dessas ações contra o tráfego marítimo e com as novas ameaças dirigidas à navegação em uma das principais rotas comerciais do mundo.

De acordo com as Nações Unidas, os ataques reivindicados pelos houthis não apenas aumentam o risco de uma escalada regional, como também podem ampliar o envolvimento do Iêmen no atual cenário de confronto.

“O ataque contra navios mercantes, reivindicado pelos houthis, ameaça exacerbar ainda mais as tensões regionais e prolongar a atual escalada, com o potencial de envolver ainda mais o Iêmen no conflito regional”, afirmou Dujarric em nome do secretário-geral.

Além disso, a organização alertou que uma deterioração da situação no terreno teria consequências significativas além das fronteiras do Iêmen: “A intensificação das hostilidades no Iêmen prejudicará as perspectivas de paz e terá graves consequências econômicas, humanitárias e ambientais em toda a região e além dela”, acrescentou.

Diante desse cenário, Guterres exigiu uma redução imediata da tensão e instou os houthis a interromperem qualquer nova ofensiva ou medida que possa contribuir para agravar o conflito.

O secretário-geral também relembrou a obrigação de cumprir a resolução 2722 (2024) do Conselho de Segurança da ONU e as decisões posteriores adotadas para proteger a liberdade de navegação e a segurança dos navios mercantes no Mar Vermelho.

Nesse sentido, as Nações Unidas insistiram que os direitos e liberdades da navegação internacional no estreito de Bab al-Mandab e nas áreas marítimas vizinhas devem ser plenamente restabelecidos.

A preocupação da ONU coincide com o agravamento da crise no Oriente Médio, onde os houthis — movimento apoiado pelo Irã — intensificaram suas ameaças contra o tráfego marítimo na entrada do Mar Vermelho, uma rota estratégica para o comércio internacional.

Por outro lado, o enviado especial das Nações Unidas para o Iêmen, Hans Grundberg, também expressou sua preocupação com a retomada dos ataques e tem mantido contatos com representantes iemenitas, bem como com atores regionais e internacionais, em uma tentativa de conter a escalada.

Paralelamente, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou sobre a situação enfrentada por milhares de marinheiros presos na zona do Estreito de Ormuz. Segundo dados da Organização Marítima Internacional (OMI), pelo menos 6.000 tripulantes permanecem a bordo de cerca de 400 embarcações, sem possibilidade de deixar a área.

A porta-voz do órgão, Shabia Mantoo, explicou que o número pode ser maior, uma vez que há outras pessoas desaparecidas ou localizadas em embarcações menores cuja situação ainda não pôde ser verificada.

O escritório dirigido por Volker Türk também denunciou que alguns armadores abandonaram suas tripulações sem assistência nem possibilidade de repatriação. De acordo com as informações coletadas pelo órgão, pelo menos nove navios, com um total de 93 marinheiros, encontram-se nessa situação desde o início do conflito.

“Os marinheiros foram abandonados em seus navios à própria sorte, sem comida, água, combustível, atendimento médico, eletricidade nem meios para se comunicarem com suas famílias”, afirmou Mantoo.

A porta-voz alertou ainda que esses trabalhadores permanecem isolados por longos períodos em uma zona de guerra e continuam expostos a combates, em uma situação que representa um grave risco à sua integridade física e mental. Desde o início do conflito, foram registradas pelo menos 17 mortes de marinheiros.

“Os ataques contra embarcações civis são inaceitáveis e devem cessar. Elas estão protegidas pelo direito internacional humanitário”, ressaltou.

Por isso, o Alto Comissário solicitou aos Estados, aos armadores e às demais partes envolvidas que “garantam com urgência a proteção dos marinheiros retidos, inclusive assegurando acesso efetivo à assistência consular, a suprimentos e serviços essenciais, e facilitando as evacuações e repatriações”.

Além disso, ele exigiu que “as partes em conflito trabalhem com urgência para facilitar a passagem segura dos marinheiros retidos, de modo que possam ser evacuados e desembarcar com segurança, bem como garantir a entrega de suprimentos essenciais”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado