Publicado 28/04/2026 13:16

A ONU exige que se prestem contas em toda a Síria, após ter registrado inúmeras violações dos direitos humanos em centros das Forças

Archivo - Arquivo - 18 de fevereiro de 2026, Província de Aleppo, Síria: Um membro das forças de segurança sírias monta guarda do lado de fora após centenas de pessoas terem sido transferidas do campo de Al Hol, na Província de Hasaka, no nordeste da Síri
Europa Press/Contacto/Sally Hayden - Arquivo

MADRID 28 abr. (EURPOPA PRESS) -

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos exigiu nesta terça-feira que a prestação de contas se estenda a todo o território da Síria, após uma visita de cinco dias à província de Hasaka, no nordeste do país, onde foram registrados um “número significativo” de violações dos direitos humanos, inclusive nos centros de detenção até então controlados pelas Forças Democráticas Sírias (FDS).

“A prestação de contas deve se estender também a todas as partes que cometeram graves violações e abusos na Síria, antes e durante a guerra”, defendeu seu porta-voz, Thameen al Kheetan, em um comunicado no qual relatou a viagem de trabalho da equipe a Hasaka, “onde receberam testemunhos diretos e relatos de violações e abusos dos direitos humanos”.

Assim, ele enfatizou que se trata de eventos “tanto passados quanto presentes”, entre eles “um número significativo de assassinatos, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias e deportações de detidos” e até mesmo a descoberta de três valas comuns na referida província no mês de março passado, “uma delas dentro de um antigo centro de detenção operado pelas” forças curdo-árabes.

“Nossa equipe também ouviu depoimentos de familiares de pessoas desaparecidas, incluindo crianças e mulheres, que relataram que seus entes queridos desapareceram enquanto estavam detidos pelas FDS ou pelas forças da coalizão internacional”, acrescentou Al Kheetan.

Nesse sentido, o porta-voz alertou que “muitos” dos detidos transferidos pela coalizão internacional contra o Estado Islâmico para o Iraque “não têm acesso às suas famílias nem a representação legal”. “As garantias processuais, incluindo as relativas à sua transferência para outro país ou autoridade de detenção, o princípio da não repulsão e o direito a um julgamento justo para aqueles suspeitos de crimes devem ser plenamente respeitados, independentemente de sua nacionalidade”, defendeu, lembrando que muitos dos 7.000 detidos por sua ligação com a organização jihadista e transferidos para prisões iraquianas possuem nacionalidade síria.

No entanto, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos saudou a recente abertura, em Damasco, do julgamento contra o ex-presidente sírio Bashar al Assad e figuras de seu regime — apesar de a maioria deles estar foragida da justiça — como um “importante primeiro passo”. “É fundamental garantir justiça e reparação para as centenas de milhares de vítimas, em conformidade com as normas internacionais de direitos humanos”, afirmou, sobre um julgamento que teve início neste domingo.

“As cenas comoventes de mães inconsoláveis chorando no tribunal evidenciam a necessidade de um processo de justiça transicional centrado nas vítimas. Al Assad, seu irmão Maher e todos os réus julgados à revelia devem comparecer pessoalmente perante o tribunal e prestar contas por todos os crimes e violações que cometeram”, acrescentou.

PREOCUPAÇÃO COM DETENÇÕES ARBITRÁRIAS POR PARTE DE ISRAEL NOS ALTOS DO GOLÃ SÍRIOS

Por outro lado, Al Kheetan destacou as “denúncias crescentes” no sul do país, em particular nos Altos do Golã ocupados por Israel, diante da “expansão das operações” das forças israelenses que “colocam vidas em risco”. “Os direitos à vida familiar e à privacidade estão sendo restringidos, e os meios de subsistência, especialmente nas comunidades agrícolas, foram gravemente afetados”, denunciou.

Além disso, o porta-voz apontou para um “aumento do assédio e da intimidação, detenções, interrogatórios, buscas domiciliares e restrições à liberdade de movimento” na província de Quneitra, onde o Exército de Israel “instalou postos de controle, revistou residências e prendeu e deteve civis”.

Pelo menos 250 pessoas, incluindo crianças, foram detidas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) no sul da Síria desde a derrubada de Bashar al-Assad no final de 2024, segundo denúncias vindas de Damasco. Esse número inclui cerca de 50 pessoas que permanecem sob custódia das autoridades israelenses e várias que foram transferidas para prisões nos Altos do Golã, o que, de acordo com a ONU, “suscita preocupação com as detenções arbitrárias, bem como com os desaparecimentos forçados em alguns casos, sobre os quais ainda não há informações confirmadas quanto ao seu status legal ou paradeiro”.

As Nações Unidas também manifestaram sua preocupação com o projeto recentemente aprovado pelo governo de Benjamin Netanyahu “para expandir os assentamentos ilegais nos Altos do Golã sírios ocupados, com planos, segundo relatos, de trazer 3.000 novas famílias israelenses como colonos para a região, em violação ao Direito Internacional Humanitário”, por isso, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu às autoridades de Israel que ponham “fim a todas as violações do Direito Internacional Humanitário e do Direito Internacional dos Direitos Humanos na Síria”, realizem “investigações rápidas e independentes sobre essas supostas violações” e suspendam seus planos de “colonização” nas Colinas do Golã.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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