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Ele ressalta que “não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária” à Faixa de Gaza
MADRID, 6 maio (EUROPA PRESS) -
As Nações Unidas exigiram nesta quarta-feira às autoridades de Israel a libertação “imediata e incondicional” dos dois ativistas detidos durante a abordagem, na semana passada, da Frota Global Sumud em águas internacionais no Mar Mediterrâneo, incluindo o espanhol Saif Abukeshek.
“Israel deve libertar de forma imediata e incondicional Saif Abukeshek e Thiago Ávila, membros da Frota Global Sumud, que foram detidos em águas internacionais e transferidos para Israel, onde permanecem detidos sem acusação”, indicou Thameen al Kheetan, porta-voz do gabinete do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk.
Assim, ele destacou que “demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza, que precisa dela urgentemente, não é um crime”, antes de ressaltar que “os relatos preocupantes sobre os graves maus-tratos sofridos por Abukeshek e Ávila devem ser investigados, e os responsáveis devem ser levados à justiça”.
Al Kheetan solicitou ainda a Israel que ponha fim ao uso da “detenção arbitrária” e à aplicação de sua legislação antiterrorista, que descreve como “vaga”, ao considerar que “é inconsistente com o Direito Internacional dos Direitos Humanos”, de acordo com um comunicado publicado pelo gabinete de Turk.
“Israel também deve levantar o bloqueio a Gaza e permitir e facilitar a entrada de ajuda humanitária em quantidades suficientes na Faixa de Gaza, que se encontra sitiada”, reforçou, poucas horas antes da audiência em um tribunal israelense para analisar o recurso apresentado pela organização Adalah contra a decisão de prorrogar por seis dias a detenção dos dois ativistas, até este domingo.
A audiência estava marcada para esta quarta-feira às 12h30 (11h30 na Espanha peninsular e nas Ilhas Baleares) perante um tribunal da cidade de Beersheba, embora a Adalah tenha confirmado no início do dia que ela foi adiada para as 14h (hora local).
A Adalah indicou que o promotor apresentou em uma audiência prévia uma lista de supostos crimes que incluiriam “auxiliar o inimigo em período de guerra”, “entrar em contato com um agente estrangeiro”, “prestar serviços a uma organização terrorista” — em referência ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) — e “transferir bens para uma organização terrorista”, igualmente o grupo islâmico palestino, embora ainda não haja uma acusação formal.
A defesa destacou que não há qualquer conexão entre a entrega de ajuda humanitária à população civil por meio da referida frota, que pretendia romper o bloqueio israelense a Gaza, e uma “organização terrorista”, ao mesmo tempo em que argumentou que as leis israelenses não são aplicáveis, uma vez que ambos foram “sequestrados” a mil quilômetros da costa de Gaza e não são cidadãos de Israel.
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