Pedro Rances Mattey/Dpa - Arquivo
MADRID, 11 mar. (EUROPA PRESS) -
A Organizao das Naes Unidas (ONU) disse nesta tera-feira que até agora documentou a morte de mais de cem civis na violncia no oeste da Síria no final da semana passada, incluindo "muitos" casos de "execues sumárias" que foram supostamente realizadas "por motivos sectários", em meio a alegaes contra as novas foras de segurana e grupos aliados a Damasco por abusos e crimes contra a minoria alauíta nas províncias de Latakia e Tartous.
O porta-voz do escritório do Alto Comissariado das Naes Unidas para os Direitos Humanos, Thameen al-Kheetan, disse que a agncia "documentou até agora a morte de 111 civis", mas ressaltou que "o processo de verificao ainda está em andamento". "Acredita-se que o número de mortos seja significativamente maior", acrescentou ele, depois que o Observatório Sírio para os Direitos Humanos estimou o número de civis executados em cerca de 1.000.
"Muitos dos casos documentados foram execues sumárias. Eles parecem ter sido realizados por motivos sectários nas províncias de Tartous, Latakia e Hama, aparentemente por indivíduos armados no identificados, membros de grupos armados que supostamente apóiam as foras de segurana das autoridades interinas e elementos associados ao antigo governo", disse ele.
Ele alertou que "em vários casos extremamente alarmantes, famílias inteiras, incluindo mulheres, crianas e pessoas que no estavam envolvidas nos combates, foram mortas, com cidades e vilarejos predominantemente alauítas sendo o foco particular dos ataques".
"De acordo com vários testemunhos coletados por nosso escritório, os autores dos ataques invadiram as casas e perguntaram aos moradores se eram alauítas ou sunitas antes de matá-los ou poupá-los, conforme o caso. Alguns sobreviventes relataram que muitos homens foram mortos a tiros na frente de suas famílias", disse ele.
A esse respeito, ele observou que "indivíduos armados supostamente ligados s foras de segurana do antigo governo atacaram vários hospitais em Latakia, Tartous e Banias entre 6 e 7 de maro, provocando confrontos com as foras de segurana das autoridades interinas e grupos armados afiliados, resultando em dezenas de vítimas civis, incluindo pacientes, médicos e estudantes de medicina, bem como danos aos hospitais":
Al Kheetan observou que as violaes e abusos registrados durante esses dias incluíram "saques de casas e lojas", "principalmente por indivíduos no identificados que supostamente se aproveitaram do caos no local", enquanto muitos civis fugiram para áreas rurais ou para uma base aérea controlada pelas foras russas na área.
"As autoridades interinas anunciaram, em 10 de maro, o fim das operaes de segurana na área costeira, embora haja relatos de confrontos intermitentes", disse ele, enfatizando que "as tenses também foram alimentadas por um crescente discurso de ódio, tanto on-line quanto off-line, e pela disseminao generalizada de desinformao, incluindo fotos tiradas fora de contexto, o que exacerbou ainda mais o medo entre a populao".
"Estamos preocupados com o fato de que o aumento significativo do discurso de ódio e da desinformao corre o risco de alimentar ainda mais as tenses e prejudicar a coeso da sociedade síria", disse ele, enfatizando que o chefe do escritório, Volker Turk, pede a garantia de "responsabilizao por todos esses crimes".
PEDE INVESTIGAES "RÁPIDAS" E "IMPARCIAIS
Ele disse que Turk saudou o anúncio feito pelas autoridades interinas da criao de um comit para investigar esses abusos e pediu que as investigaes sejam "rápidas, completas, independentes e imparciais". "Todos os responsáveis pelas violaes devem ser responsabilizados, independentemente de sua afiliao, de acordo com as normas e padres do direito internacional", disse ele.
"As vítimas e suas famílias tm o direito verdade, justia e reparao", disse Al Kheetan, enfatizando que "para garantir que essas violaes e abusos terríveis no se repitam, é essencial que o processo de vetar e integrar faces armadas s estruturas militares da Síria esteja de acordo com as obrigaes de direitos humanos do país e aborde totalmente a responsabilidade daqueles que estiveram envolvidos em violaes passadas ou presentes na Síria".
O presidente de transio e líder do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS), Ahmad al Shara, anunciou no domingo a criao de uma comisso para "preservar a paz civil" com trs membros, incluindo os governadores de Latakia e Tartous, ao mesmo tempo em que pediu "trabalho para fortalecer a unidade nacional nesse estágio delicado".
Ele também anunciou o lanamento de uma comisso nacional independente de sete juízes, que investigará os recentes massacres na costa da Síria e deverá apresentar um relatório dentro de 30 dias. "No haverá ninguém acima da lei, e qualquer um que tenha manchado suas mos com o sangue dos sírios será punido", prometeu.
Os massacres de centenas de alauítas provocaram condenao internacional, com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegando a culpar "terroristas islmicos radicais", "incluindo jihadistas estrangeiros", alinhados com as autoridades instaladas após a queda de al-Assad por uma ofensiva de jihadistas e rebeldes liderados pela HTS, que é considerada uma organizao terrorista.
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