Publicado 14/07/2026 05:02

A ONU defende que o TPI é “uma peça fundamental” do sistema de justiça internacional, após as acusações dos EUA

Archivo - Arquivo - O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante uma coletiva de imprensa.
Hannes P. Albert/dpa - Arquivo

MADRID 14 jul. (EUROPA PRESS) -

As Nações Unidas defenderam que o Tribunal Penal Internacional (TPI) é “uma peça fundamental” no sistema de justiça internacional, depois que os Estados Unidos anunciaram uma “campanha” contra o órgão, ao qual acusam de “ameaçar” a soberania do país norte-americano, que não é signatário do Estatuto de Roma.

“Embora o TPI seja uma organização independente do Secretariado-Geral das Nações Unidas e da própria ONU, para nós continua sendo uma peça fundamental do sistema de justiça internacional”, afirmou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da organização internacional, António Guterres.

Assim, ele lembrou que o tribunal “conta com o apoio de um grande número de Estados-membros e contribui para que haja prestação de contas por crimes graves”, antes de ressaltar que cada um desses países “tomará suas próprias decisões” quanto à permanência ou retirada do TPI, caso haja pressões por parte dos Estados Unidos.

Dujarric também enfatizou que “o Direito internacional, a Carta da ONU e a Declaração Universal dos Direitos Humanos foram criados por Estados-membros soberanos e têm proporcionado proteção e alívio a milhões de pessoas”. “Eles estão sob ameaça e ataque, como o secretário-geral já disse várias vezes”, lamentou durante uma coletiva de imprensa em Nova York.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou na segunda-feira que “o TPI representa uma ameaça intolerável à soberania americana, pois se arroga a autoridade para processar e até mesmo prender militares e funcionários norte-americanos que atuam em defesa do interesse nacional dos Estados Unidos”, antes de afirmar que tomará medidas para impedir a capacidade do TPI de “operar, processar militares ou funcionários norte-americanos”.

Entre as medidas que o governo Trump está considerando estão as chamadas diplomáticas por parte do secretário de Estado e de outras altas autoridades para alertar as nações estrangeiras sobre os “abusos” cometidos pelo TPI e os “riscos que ele representa para os americanos e outros países”.

Além disso, propôs um “maior escrutínio” contra países que “se recusarem a rejeitar a falsa autoridade do TPI” caso “dependam da assistência dos Estados Unidos”, ao mesmo tempo em que fará apelos diplomáticos para que outros Estados que não fazem parte do Estatuto de Roma “utilizem suas redes para tomar medidas semelhantes” e imponham novas restrições de visto e sanções contra seus membros

O anúncio dessa campanha ocorre depois que três juízas do TPI entraram, em junho passado, com uma ação contra o governo do presidente Donald Trump pela imposição de sanções contra elas, após terem emitido, em 2024, mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o agora ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, acusados de crimes de guerra e contra a humanidade no contexto da ofensiva contra a Faixa de Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2023.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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