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MADRID 4 mar. (EUROPA PRESS) - O secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, lamentou nesta terça-feira que as consequências humanitárias decorrentes da escalada da violência no Oriente Médio, após o ataque maciço lançado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, sejam “cada vez mais desanimadoras”.
Alertando que é a própria população civil que sofre as consequências do aumento das tensões na região, Fletcher fez um apelo para proteger a população, num contexto em que, sublinhou, os ataques estão afetando casas, hospitais e escolas.
“Pessoas e infraestruturas civis foram atacadas no Irã, Líbano, Síria, territórios palestinos ocupados, Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Kuwait e Arábia Saudita, entre outros”, afirmou o secretário-geral adjunto em uma declaração feita nesta terça-feira.
O próprio Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, exortou todas as partes envolvidas a agirem “com a máxima moderação” a fim de “evitar uma maior escalada”, sem perder de vista a proteção de civis, estrangeiros e infraestruturas críticas.
“Voltar à mesa de negociações é a única forma de pôr fim à matança, à destruição e ao desespero”, sublinhou Türk, em relação a estas hostilidades que já afetaram uma dúzia de Estados.
Diante dessa conjuntura, após realizar uma avaliação dos danos e medir a magnitude da resposta humanitária “crescente” necessária, Fletcher informou que planos de contingência foram ativados no Irã, Afeganistão, Paquistão, Líbano, territórios palestinos ocupados, Síria e Iêmen. No entanto, ele acusou que a “presença limitada” de ONGs internacionais, bem como o espaço operacional restrito no Irã, “dificultam” a situação.
Além disso, o secretário-geral adjunto colocou o foco no estreito de Ormuz, principal rota de transporte de petróleo e gás do mundo, localizado entre Omã e o Irã, para alertar que “se continuar interrompido”, o preço dos alimentos “disparará” e os sistemas de saúde e suprimentos básicos serão afetados, uma vez que dependem das importações.
“Estamos pré-posicionando reservas, identificando rotas alternativas de abastecimento e preparando opções de financiamento rápido, incluindo possíveis alocações do Fundo Central para Ação em Emergências”, adiantou. NECESSIDADES HUMANITÁRIAS MAIS AMPLIADAS
Em sua declaração, Fletcher também se referiu ao Afeganistão, apontando que, se quase 22 milhões de pessoas já precisam de ajuda humanitária, uma escalada regional “pode agravar” uma crise de insegurança alimentar que, insistiu, “já é grave”, afetando “mais de 17 milhões de pessoas”.
No Paquistão, onde a ONU lamentou ataques contra uma de suas instalações, o secretário-geral adjunto alertou que a “grande instabilidade” latente no Irã poderia resultar em “movimentos massivos de pessoas”, especialmente para a província de Baluchistão.
Por sua vez, nos territórios palestinos ocupados, onde o impacto da escalada das hostilidades deixou “consequências operacionais imediatas”, apesar de a passagem de Kerem Shalom, no sul da Faixa de Gaza, ter sido reaberta nesta terça-feira para a entrada de combustível e suprimentos humanitários “de forma gradual”, outras, como a de Rafá, continuam fechadas.
“As evacuações médicas continuam suspensas, deixando mais de 18.000 pacientes, entre os quais 4.000 crianças, sem acesso aos cuidados especializados de que necessitam”. A isso se soma o fato de que, na Cisjordânia, as forças israelenses mantêm fechados a maioria dos postos de controle, o que não só dificulta a liberdade de movimento dos palestinos, afetando sua capacidade de acessar serviços e meios de subsistência, mas também a capacidade dos parceiros humanitários de desenvolver suas operações.
Em relação aos ataques israelenses lançados contra o sul do Líbano, Fletcher precisou que já foram registradas mais de 50 vítimas fatais e 150 feridos, o que resultou em uma “destruição considerável”, bem como em “deslocamentos em massa”. A isso se soma, segundo o secretário, que até o momento o exército israelense emitiu ordens de deslocamento para mais de 100 cidades e vilarejos do sul e do vale do Becá. PREOCUPAÇÃO COM OS IRANIANOS
Por sua vez, a porta-voz principal do Alto Comissariado, Ravina Shamdasani, referiu-se nesta terça-feira às hostilidades no Líbano, depois que o partido-milícia xiita libanês Hezbollah atacou duas bases militares israelenses, bem como às “fortes represálias” adotadas por Israel, com o objetivo de instar ambas as partes a “pôr fim imediatamente” a essa “grave escalada de violência”. Da mesma forma, Shamdasani mostrou preocupação com o bem-estar do povo iraniano, devido ao “histórico repressivo” do regime dos aiatolás, enfatizando a importância do “restabelecimento imediato” dos serviços de telecomunicações, para que a população “tenha novamente acesso à internet” e às informações essenciais para, inclusive, poder se manter em segurança no contexto das hostilidades em curso.
Por fim, a porta-voz referiu-se às “centenas” de presos políticos do país que “continuam detidos arbitrariamente”, apelando para que seja garantida a sua proteção e procedida à sua “pronta libertação”.
“Os direitos humanos não devem ser instrumentalizados nem utilizados como moeda de troca por nenhum Estado: sabemos, pela dolorosa história, o que o uso da força bruta externa pode significar para os direitos humanos”, insistiu, ressaltando que os direitos humanos devem ocupar um “lugar central” no “futuro” do Irã.
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