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MADRID 19 maio (EUROPA PRESS) -
As Nações Unidas confirmaram contatos com o governo israelense na segunda-feira com o objetivo de reiniciar a entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, depois que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu anunciou no domingo que o bloqueio imposto há dois meses ao enclave palestino seria levantado como parte da ofensiva lançada após os ataques de 7 de outubro de 2023.
"Fomos contatados pelas autoridades israelenses para reiniciar uma entrega limitada de ajuda", disse o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em um breve comunicado. "Estamos discutindo com eles sobre como isso pode ocorrer, levando em conta as condições no local", acrescentou, sem entrar em detalhes.
As autoridades israelenses apresentaram um plano, apoiado pelos EUA, que prevê a criação de pontos de entrega de ajuda, que seria canalizada por meio de uma "fundação" recém-criada, em meio a críticas internacionais à proposta, inclusive da ONU, que disse recentemente que ela "parece destinada a controlar e restringir ainda mais os suprimentos".
Nesse contexto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou na semana passada que pelo menos 57 crianças morreram de fome em Gaza desde março e alertou que, se a terrível situação humanitária persistir, cerca de 71.000 crianças com menos de cinco anos de idade poderão sofrer de desnutrição aguda nos próximos onze meses, em meio a alarmes internacionais sobre a situação na Faixa.
O primeiro-ministro de Israel ordenou no domingo a retomada da ajuda humanitária em Gaza, que está bloqueada desde 2 de março, cerca de duas semanas antes de as tropas israelenses romperem o cessar-fogo de janeiro com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e relançarem sua ofensiva militar contra o enclave.
O próprio Netanyahu disse na segunda-feira que as tropas israelenses "tomarão toda a Faixa de Gaza" e defendeu sua decisão de permitir a entrada de ajuda, reconhecendo que essa medida é resultado da pressão exercida sobre seu governo por seus aliados, devido ao agravamento da crise humanitária no enclave como resultado das ações de Israel.
As autoridades de Gaza, controladas pelo Hamas, estimaram o número de palestinos mortos desde o início da ofensiva militar israelense em cerca de 53.500, além de mais de 121.000 feridos. Além disso, afirmaram que, desde 18 de março, quando Israel rompeu o cessar-fogo, foram registrados mais de 3.300 mortos e cerca de 9.350 feridos.
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