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MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) - As Nações Unidas confirmaram nesta terça-feira que foram retomadas em Washington as conversações sobre a questão do Saara Ocidental, nas quais participam o enviado especial para este território, Staffan de Mistura, e o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Michael Waltz.
“Nosso colega Staffan de Mistura, enviado do secretário-geral para o Saara Ocidental, copreside as negociações em curso sobre a aplicação da resolução 2797 do Conselho de Segurança (da ONU), aprovada no ano passado”, indicou em declarações à imprensa o porta-voz Stéphane Dujarric. Waltz também participa das conversações como “copresidente”. “Para dar a estas negociações a maior chance de sucesso, De Mistura planeja permanecer em silêncio por enquanto”, destacou, sem detalhar quanto tempo durarão os contatos. Representantes da Espanha, Marrocos, Frente Polisário, Argélia e Mauritânia se reuniram recentemente em Madri para chegar a uma solução para a disputa da antiga colônia espanhola do Saara Ocidental.
Na reunião realizada nos dias 8 e 9 de fevereiro na Embaixada dos Estados Unidos em Madri, teria sido discutido o plano de autonomia para o Saara Ocidental apresentado por Rabat em 2007. O encontro reuniu os chefes da diplomacia de Marrocos e da Frente Polisário, bem como da Argélia e da Mauritânia, e foi copatrocinado pelo embaixador dos Estados Unidos na ONU e pelo enviado dos Estados Unidos para a África, Massad Boulos, e pelo enviado da ONU para o Saara.
As negociações, que estão sendo conduzidas com extrema discrição, baseiam-se na Resolução 2797, adotada pelo Conselho de Segurança em 31 de outubro de 2025, por proposta dos Estados Unidos. O texto apoia, pela primeira vez, no mais alto nível da ONU, o plano de autonomia marroquino como base para uma solução negociada para o conflito.
A antiga colônia espanhola foi ocupada por Marrocos em 1975, apesar da resistência da Frente Polisário, com quem manteve uma guerra até 1991, quando ambas as partes assinaram um cessar-fogo com vistas à realização de um referendo de autodeterminação. As divergências sobre a elaboração do censo e a inclusão ou não dos colonos marroquinos têm impedido, até o momento, sua convocação.
O último revés para os saharauis foi o apoio dos governos espanhol e francês ao plano de autonomia marroquino, uma mudança de postura qualificada como traição pela Frente Polisário, que lembra que a Espanha ainda é "de jure" a potência administradora do Saara Ocidental. Washington também apoia o plano de autonomia marroquino e, em 2020, Donald Trump assinou o reconhecimento da soberania de Rabat sobre o território em disputa.
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