AMAL KHALIL EN X - Arquivo
MADRID, 24 abr. (EUROPA PRESS) -
As Nações Unidas condenaram nesta quinta-feira "o assassinato da jornalista libanesa Amal Jalil", morta na véspera na cidade de Tiri, no sul do Líbano, em consequência de um ataque perpetrado pelo Exército de Israel, que manteve Jalil e outra repórter sitiadas durante horas diante de sucessivos bombardeios, fatos pelos quais o secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu uma investigação.
“Condenamos o assassinato da jornalista libanesa Amal Jalil em um suposto ataque aéreo israelense em Tiri”, declarou em coletiva de imprensa o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, que transmitiu as condolências da ONU à “família, amigos e colegas de Amal” e desejou uma “rápida e completa recuperação da segunda jornalista ferida no mesmo incidente”, Zeinab Faraj, ambas do jornal libanês 'Al Ajbar'.
Além disso, o representante de Guterres transmitiu que o secretário-geral “lembra que os civis, incluindo os jornalistas, devem ser respeitados e protegidos em todos os momentos” e exigiu “uma investigação rápida e imparcial deste assassinato”.
“Atacar civis e obstruir a ajuda humanitária constituem violações do Direito Internacional Humanitário”, sublinhou Dujarric, que também indicou que Guterres “reitera que os jornalistas devem poder desempenhar suas funções essenciais sem interferências, assédio ou nada pior”.
Após o ataque, assinalou o porta-voz de Guterres, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) “colaborou nos esforços de desaceleração com as Forças de Defesa de Israel (FDI) para facilitar o acesso da Cruz Vermelha Libanesa e prestar apoio às jornalistas”.
Sobre isso, Dujarric declarou pouco depois que, sabendo que “a Cruz Vermelha tinha dificuldades para chegar ao local”, os membros da FINUL “realizaram as manobras habituais de acalmia para que fosse possível recuperar seu corpo (o de Amal Jalil) e evacuar sua colega, uma fotógrafa”.
A Cruz Vermelha Libanesa conseguiu finalmente chegar ao local do incidente e transportar Faraj até o hospital público de Tebnine, embora tenha sido alvo de tiros do Exército israelense durante o trajeto até o centro de saúde, conforme informou a agência libanesa NNA, que divulgou imagens da ambulância com marcas de balas. Horas depois, a Defesa Civil libanesa confirmou a morte de Jalil, que estava desaparecida, depois que a Cruz Vermelha e as Forças Armadas mobilizaram uma escavadeira e encontraram seu corpo entre os escombros resultantes dos ataques de Israel.
A IWMF EXIGE "QUE SE RESPONSABILIZEM PELA MORTE DE JALIL"
Nesse contexto, a Fundação Internacional de Mulheres na Mídia (IWMF, na sigla em inglês) se mostrou “profundamente consternada” com a morte da jornalista e com os fatos ocorridos em torno do resgate, conforme indicou em um comunicado.
“Este terrível incidente ocorreu durante uma trégua entre Israel e o Líbano, na qual qualquer ataque deliberado contra civis ou interferência nas operações de resgate constituiria uma violação desse acordo”, destacou a organização, que também denunciou que “os jornalistas nunca deveriam ser alvo de operações militares”. “No entanto, há cada vez mais evidências de que Israel está atacando repórteres”, observou, antes de exigir “que as circunstâncias desses ataques sejam esclarecidas e que haja responsabilização pela morte de Jalil”.
Da mesma forma, a IWMF argumentou que “os jornalistas são nossas testemunhas da história”, pelo que “as tentativas de silenciar suas vozes devem ser objeto de escrutínio e indignação internacional”. “Nossos pensamentos estão com os entes queridos e colegas de Jalil nestes momentos de luto”, acrescentou a fundação.
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