Publicado 22/04/2026 02:21

A ONU alerta para uma crise de fome em países vulneráveis caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto

Archivo - Arquivo - 16 de setembro de 2024, Nova York, Nova York, Estados Unidos: Jorge Moreira da Silva, diretor executivo da UNOPS, participa de reunião do Conselho de Segurança sobre a situação no Oriente Médio na sede da ONU em Nova York, em 16 de set
Europa Press/Contacto/Lev Radin - Arquivo

MADRID 22 abr. (EUROPA PRESS) -

O Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS) alertou nesta terça-feira que, se o Estreito de Ormuz não for reaberto nas próximas semanas, muitos países vulneráveis poderão sofrer uma crise de fome, por não terem acesso aos fertilizantes necessários para a colheita de seus alimentos.

O grupo de trabalho, designado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tem como objetivo facilitar a passagem segura de fertilizantes e matérias-primas relacionadas para fins humanitários. Por esse corredor marítimo, localizado no sul do Irã, passa um terço do comércio mundial de fertilizantes, essenciais para países dependentes que poderiam sofrer uma crise humanitária caso o tráfego não seja reaberto.

“A ideia do grupo de trabalho é desenvolver um mecanismo focado em fertilizantes e matérias-primas relacionadas, como ureia, enxofre e amônia, para prevenir uma crise humanitária em grande escala. Um terço de todos os fertilizantes do mundo transita pelo Estreito de Ormuz, o que permite perceber a importância do Golfo Pérsico para a produção de fertilizantes e o impacto que a interrupção tem em toda a cadeia de abastecimento”, explicou seu diretor executivo, Jorge Moreira da Silva, em entrevista ao serviço de notícias da ONU.

Entre os países que mais dependem desses fertilizantes, a maioria está no continente africano e são territórios especialmente vulneráveis devido a crises anteriores. Sudão, Somália, Moçambique, Quênia e Sri Lanka são algumas das nações que importam grandes quantidades de fertilizantes na região.

“Não podemos esperar que tudo esteja resolvido para, pelo menos, dar um jeito em algo a tempo para a época de plantio. A época de plantio já começou e, na maioria dos países africanos, terminará em maio. Portanto, se não encontrarmos uma solução imediatamente, a crise será muito grave, especialmente para os países e cidadãos mais pobres”, declarou Moreira da Silva.

O mecanismo para garantir a exportação de fertilizantes se baseará no “princípio de gerar confiança por meio de maior prestação de contas e transparência” com os atores envolvidos, informou a UNOPS. Trata-se de uma série de etapas que incluiriam o registro dos fertilizantes, a resolução de conflitos, o monitoramento, a verificação e a apresentação de relatórios.

“Pelo menos, vamos estabelecer um mecanismo excepcional, limitado e com prazos definidos, especificamente para fertilizantes e matérias-primas relacionadas”, esclareceu o chefe do escritório, antes de acrescentar que “a razão para priorizar os fertilizantes reside na clara relação entre a falta de acesso a eles e a perturbação dos sistemas alimentares, o que acarreta a ameaça de fome e escassez de alimentos em muitos países”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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