Hector Adolfo Quintanar Perez/ZU / DPA - Arquivo
MADRID 20 fev. (EUROPA PRESS) - As Nações Unidas publicaram nesta sexta-feira um relatório detalhando como quase todos os grupos armados que operam no Haiti utilizam menores de idade para cometer seus crimes, que vão desde extorsões e tarefas de vigilância até assassinatos, ataques às forças de segurança e escravidão sexual.
“As crianças do Haiti estão sendo roubadas de sua infância e de seu futuro”, denunciou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, que alertou para o impacto devastador dessas práticas sobre os menores, mas também para a estabilidade do país.
Embora as Nações Unidas tenham reconhecido que não há dados completos sobre o número de crianças que são vítimas deste tipo de abuso, em 2024 mais de 500.000 viviam em zonas controladas por gangues, enquanto a violência forçou mais de 1,4 milhões de pessoas a fugir de suas casas, metade delas menores de idade.
A crise em todos os níveis que há décadas atinge o pequeno país caribenho — educacional, social, sanitária, de segurança, institucional — contribuiu para criar um ambiente em que é cada vez mais frequente que elas acabem nas mãos dessas organizações criminosas.
O estudo detalha que eles não são apenas obrigados a servir nelas, mas cada vez mais são atraídos pela falsa sensação de segurança e poder, mas também pela comida e até mesmo pelas drogas. “Esse risco é especialmente grave para crianças de famílias extremamente pobres e marginalizadas, para aquelas que vivem nas ruas ou em campos de deslocados”, revela o relatório.
Apesar dos esforços e de algumas iniciativas implementadas pelas autoridades, pela sociedade civil ou pela comunidade internacional, estas continuam a ser insuficientes, principalmente porque não abordam as causas que geram estas dinâmicas, nem conseguem que os responsáveis prestem contas pelos seus crimes.
Além disso, o texto alerta que as forças de segurança costumam considerar as crianças que foram recrutadas como parte ativa dessas gangues, e não como vítimas do conflito, a tal ponto que elas costumam ser executadas sumariamente pelos próprios agentes.
Nesse sentido, Turk explicou que deve ser dada especial atenção aos direitos das crianças durante o planejamento e a realização de operações contra as gangues, bem como ao combate ao fluxo ilegal de armas que chegam ao Haiti, a fim de contribuir para o “fim do ciclo interminável de violência”.
“As crianças devem estar no centro de nossa resposta à crise de segurança no Haiti”, enfatizou Carlos Ruiz Massieu, representante especial do secretário-geral da ONU no Haiti e chefe do Escritório Integrado das Nações Unidas nesse país (BINUH).
“É fundamental que as autoridades nacionais e seus parceiros internacionais trabalhem lado a lado para construir comunidades e mecanismos de proteção social mais sólidos”, afirmou Ruiz Massieu.
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