Publicado 18/09/2026 10:45

A ONU alerta que mais de 250 mil crianças correm risco de desnutrição aguda em meio à violência no Haiti

Archivo - Arquivo - Imagem de arquivo mostrando vários civis no Haiti fugindo da violência das gangues.
Patrice Noel/ZUMA Press Wire/dpa - Arquivo

O número inclui 94.000 crianças que poderiam sofrer de desnutrição aguda grave entre junho de 2026 e maio de 2027, bem como 160.000 com desnutrição aguda moderada

MADRID, 18 set. (EUROPA PRESS) -

As Nações Unidas alertaram nesta sexta-feira que mais de 250.000 crianças com idades entre seis meses e onze anos correm o risco de sofrer desnutrição aguda entre junho de 2026 e maio de 2027, incluindo 94.000 com desnutrição aguda grave, em um contexto de violência por parte de grupos armados, uma situação que ameaça agravar o quadro e aprofundar a crise humanitária.

A análise, conduzida pelo Ministério da Saúde com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), reflete ainda que se prevê que, nesse período, outras cerca de 160.000 crianças sofram de desnutrição aguda moderada, enquanto 25.750 mulheres grávidas e lactantes precisarão de apoio nutricional.

A deterioração prevista para os próximos meses aumentará a demanda por atendimento em mais comunidades, exercendo ainda mais pressão sobre serviços aos quais muitas famílias já têm dificuldade de acesso, segundo o documento, que destaca que o aumento da violência por parte de gangues está provocando deslocamentos em massa da população — com cerca de 1,47 milhão de deslocados internos em meados de maio — e interrompendo o acesso das crianças a alimentos, assistência médica e outros serviços essenciais.

Nesse sentido, o documento destaca que se prevê que, entre dezembro de 2026 e maio de 2027, um total de 29 dos 140 municípios do Haiti atinjam a Fase 3 de desnutrição aguda da Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), enquanto Cité Soleil e Cabaret poderiam atingir níveis críticos, correspondentes à Fase 4.

“Por trás desses números há crianças cujas vidas podem mudar quando recebem o atendimento adequado no momento certo”, afirmou a representante do UNICEF no Haiti, Geeta Narayan, que destacou que “a IPC ajuda a identificar onde as necessidades são maiores”. “Agora devemos utilizar essas evidências para chegar mais cedo às crianças, prevenir a desnutrição e garantir que nenhuma fique sem a ajuda de que precisa”, explicou ela.

Assim, o representante da FAO no país, Pierre Vauthier, ressaltou que “prevenir a desnutrição aguda exige agir não apenas sobre suas consequências imediatas, mas também sobre suas causas subjacentes”. “As famílias devem ter acesso a alimentos variados e nutritivos e poder produzi-los. Ao proteger os meios de subsistência agrícolas e fortalecer a produção local de alimentos, podemos ajudar as famílias mais vulneráveis a suprir suas necessidades nutricionais, resistir a futuras crises e reduzir sua dependência da ajuda humanitária”, argumentou.

A representante do PMA no Haiti, Lauren Landis, reforçou essa ideia ao alertar que “a rápida deterioração da situação é um claro lembrete de que investir na prevenção da desnutrição não é um gasto, mas um investimento estratégico no futuro do Haiti”.

“Cada dólar investido hoje em nutrição, saúde, alimentação escolar e apoio a famílias vulneráveis ajuda a evitar um impacto humano, social e econômico muito maior amanhã. Uma criança bem alimentada tem mais chances de ter sucesso na escola, manter-se saudável e contribuir de forma produtiva para o desenvolvimento de seu país”, afirmou após a apresentação dos dados.

Por isso, os órgãos da ONU citados fizeram um apelo ao governo haitiano, aos doadores e às organizações internacionais para que adotem medidas imediatas destinadas a ampliar o tratamento e evitar que mais crianças caiam na desnutrição, o que ocorre, entre outras coisas, por meio da “ampliação da prevenção e do tratamento, priorizando os municípios cuja situação deve piorar, por meio de avaliações comunitárias, atenção precoce, fornecimento de alimentos terapêuticos e apoio nutricional para mulheres grávidas e lactantes”.

Além disso, solicitaram que se “garanta o acesso a uma alimentação nutritiva e a serviços essenciais, combinando intervenções de nutrição materno-infantil com acesso à água potável, saneamento, assistência médica e medidas para proteger a produção familiar de alimentos e os meios de subsistência”, e “garantir acesso seguro e financiamento imediato e flexível que permita às famílias ter acesso aos cuidados necessários e que facilite às autoridades e aos parceiros humanitários a prestação de ajuda, a preparação para o aumento das necessidades e a manutenção da resposta humanitária”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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