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MADRID 4 out. (EUROPA PRESS) -
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, advertiu nesta sexta-feira que a guerra na Ucrânia entrou em uma nova fase "mais perigosa e letal", marcada por ataques maciços à infraestrutura civil e um aumento alarmante de vítimas, execuções extrajudiciais e violações sistemáticas dos direitos humanos nos territórios ocupados pela Rússia.
Após mais de três anos de conflito armado, os ataques ao longo da linha de frente aumentaram, assim como os ataques aéreos, atingindo principalmente áreas densamente povoadas, escolas, hospitais e abrigos.
"Em algumas comunidades próximas à linha de frente, quase todas as casas foram destruídas ou severamente danificadas", lamentou Turk, que observou que o número total de mortos nos primeiros oito meses do ano aumentou 40% em relação a 2024.
No total, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR), mais de 50.000 civis foram mortos ou feridos desde o início do conflito, incluindo mais de 3.000 crianças, um número recorde que só aumentará à medida que o conflito continuar, especialmente entre os grupos mais vulneráveis - incluindo crianças, idosos e pessoas com deficiência - cujas condições de vida serão afetadas pelo início do inverno.
Essa deterioração nas condições de vida da população civil ucraniana deve-se, em grande parte, segundo Turk, aos contínuos ataques russos à infraestrutura essencial - como usinas de energia, gasodutos, pontes e ferrovias - que interromperam os serviços básicos e afetaram gravemente a vida diária de milhões de pessoas.
DETENÇÕES ARBITRÁRIAS E TORTURA SISTEMÁTICA
O órgão da ONU também denunciou um aumento acentuado nas prisões em massa de civis e militares ucranianos por parte da Rússia, muitos deles em condições que podem equivaler a desaparecimentos forçados.
Da mesma forma, o OHCHR documentou padrões generalizados de tortura, violência sexual e maus-tratos contra civis ucranianos e prisioneiros de guerra.
A esse respeito, Turk denunciou que as recentes reformas legais na Rússia protegeram de fato seu pessoal militar contra a responsabilização, perpetuando a impunidade por esses crimes.
"As emendas às leis da Federação Russa consolidaram a impunidade dos militares, permitindo que execuções extrajudiciais, tortura e maus-tratos fiquem impunes. As autoridades russas continuam a perpetrar violações generalizadas e sistemáticas dos direitos humanos contra civis ucranianos no território que ocupam no sul e no leste do país", denunciou o chefe de direitos humanos da ONU.
ATAQUE SISTEMÁTICO À IDENTIDADE UCRANIANA
Além disso, Turk denunciou que, nas áreas ocupadas pela Rússia, as autoridades de ocupação têm imposto uma pressão cada vez maior sobre os residentes para que adotem a cidadania russa, sob ameaça de deportação ou confisco de propriedade.
Assim, o currículo russo foi imposto nas escolas, com conteúdo de doutrinação patriótica e militar, e a censura e a vigilância se intensificaram, inclusive nas mídias sociais e plataformas de mensagens, disse o representante do ACNUDH, que descreveu essas medidas como "uma tentativa deliberada de apagar a identidade ucraniana e suprimir todas as formas de dissidência".
Turk, portanto, fez um apelo urgente à Rússia para que ponha fim às execuções extrajudiciais, à tortura, aos maus-tratos e à violência sexual, bem como às prisões arbitrárias. Ele também pediu o acesso total de monitores independentes a todos os centros de detenção.
Além disso, pediu à Ucrânia que cumpra integralmente suas obrigações internacionais com relação à proteção de pessoas detidas.
Por fim, solicitou investigações imediatas, imparciais e eficazes sobre todas as alegações de abusos, bem como a responsabilização dos culpados. "A guerra precisa acabar. O custo humano, tanto para os civis quanto para o pessoal militar e suas famílias, tem sido chocante e devastador", concluiu Turk.
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