Europa Press/Contacto/Lev Radin
MADRID, 11 ago. (EUROPA PRESS) -
O coordenador especial adjunto da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, alertou nesta terça-feira que a Cisjordânia está “à beira do colapso”, com 76 palestinos mortos, incluindo 18 “crianças”, apenas em 2026, às mãos de forças ou colonos israelenses.
Ele fez essa declaração durante uma sessão informativa perante o Conselho de Segurança, na qual enfatizou que “essa deterioração não foi repentina”, mas sim “é resultado de décadas de conflito não resolvido que aprofundaram a ocupação ilegal israelense, levaram a Autoridade Palestina à beira do colapso e minaram as perspectivas de um Estado palestino independente, viável e soberano”.
Alakbarov, que também informou sobre a morte de três israelenses, incluindo um civil, em 2026, denunciou a violência dos colonos; as demolições e os despejos provocaram, nesse mesmo período, o deslocamento de 3.800 palestinos — quase metade deles crianças —, um número que sobe para 6.390 desde janeiro de 2023.
“A violência dos colonos atingiu níveis sem precedentes”, alertou ele, esclarecendo que as Nações Unidas documentaram, nos últimos oito meses, “mais de 1.430 incidentes protagonizados por colonos israelenses” em cerca de 260 comunidades palestinas e que “muitos” deles ocorreram “na presença das forças israelenses”.
“O padrão é claro. A população palestina está sendo deslocada à força, cada vez com maior frequência, das aldeias em toda a Cisjordânia antes que os colonos tomem posse das terras desocupadas”, acrescentou.
À violência dos colonos somam-se as operações militares de Israel e as restrições de circulação que “continuam perturbando a vida civil e as operações humanitárias”, afetando especialmente os campos de refugiados.
Nesse sentido, Alakbarov mencionou a operação realizada na semana passada pelas forças israelenses contra o campo de refugiados de Qalandia, que resultou em dezenas de palestinos feridos, mais de 60 detidos e “consideráveis” danos materiais.
Por tudo isso, ele exigiu uma “ação urgente” diante de uma situação na Cisjordânia que “deve ser considerada uma emergência”. “A preocupação não se deve apenas à contínua expansão dos assentamentos, mas também à rapidez e ao caráter sistemático com que novos fatos estão sendo criados no terreno”, afirmou.
Alakbarov exortou o grupo de 15 países a ser “realista” em relação ao que está ocorrendo na Cisjordânia, pois, segundo ele, não se trata de eventos isolados, mas de “medidas inter-relacionadas”. “Estão promovendo uma anexação de fato”, sustenta.
“Há muito em jogo. Se a Cisjordânia continuar desmoronando, não só será prejudicada a aplicação da Resolução 2803 do Conselho de Segurança — que é o objetivo imediato da comunidade internacional —, mas as perspectivas de pôr fim à ocupação e alcançar uma paz negociada entre israelenses e palestinos, com base na solução de dois Estados, serão ainda mais prejudicadas”, declarou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático