Publicado 19/02/2026 08:27

A ONU alerta que as ações de Israel geram preocupação por uma "limpeza étnica" na Palestina.

11 de fevereiro de 2026, Territórios Palestinos, Cidade de Gaza: Vista geral das tendas de pessoas deslocadas amontoadas entre edifícios destruídos no centro da cidade de Gaza. Foto: Omar Ashtawy/APA Images via ZUMA Press Wire/dpa
Omar Ashtawy/APA Images via ZUMA / DPA

Um relatório aponta para “a intensificação dos ataques” e as “transferências forçadas” da população em Gaza e na Cisjordânia MADRID 19 fev. (EUROPA PRESS) -

As Nações Unidas salientaram nesta quinta-feira que as ações de Israel, incluindo o aumento dos ataques e as “transferências forçadas” da população palestina, geram preocupação com uma possível “limpeza étnica” na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, no contexto das denúncias internacionais contra a ofensiva no enclave e as medidas para consolidar a possível anexação de territórios.

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou em um relatório que “a intensificação dos ataques, a destruição metódica de bairros inteiros e a negação de assistência humanitária pareciam ter como objetivo uma mudança demográfica permanente em Gaza”.

“Isso, juntamente com as transferências forçadas, que parecem ter como objetivo um deslocamento permanente, suscita preocupação com a limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia”, destaca o documento, publicado durante a jornada e que cobre o período entre 1º de novembro de 2024 e 31 de outubro de 2025.

Assim, destaca que à morte e mutilação de “um número sem precedentes de civis” em Gaza durante esse período devido aos ataques israelenses se somam a propagação da fome e a destruição da infraestrutura civil que ainda permanece de pé, o que implica que os palestinos sofram condições de vida “cada vez mais incompatíveis com sua existência contínua como grupo”.

O documento aponta que o padrão de ataques mortais na Faixa gera “sérias preocupações” sobre a possibilidade de as forças israelenses terem atacado “intencionalmente” civis e instalações civis, sabendo que os danos seriam “excessivos em relação à vantagem militar prevista”, o que constituiria um crime de guerra.

Assim, ressalta-se que pelo menos 463 palestinos, entre eles 157 crianças, morreram de fome em Gaza, onde a fome e a desnutrição são “um resultado direto” das ações do governo israelense, incluindo o bloqueio à entrada e distribuição de ajuda humanitária à população no enclave costeiro palestino.

O relatório lembra que o uso da fome como método de guerra também equivale a um crime de guerra que poderia constituir um crime contra a humanidade se cometido como parte de um ataque sistemático ou generalizado contra uma população civil, chegando a ser considerado genocídio se o objetivo for destruir um grupo nacional, étnico, racial ou religioso.

Por outro lado, salienta que “o uso sistemático e ilegal da força” por parte das tropas israelenses na Cisjordânia, bem como “a detenção arbitrária generalizada”, “as torturas e outros maus-tratos a palestinos detidos” e a demolição “extensa” de habitações “são usados para discriminar sistematicamente, reprimir, controlar e dominar o povo palestino”.

O texto aponta ainda para “incidentes preocupantes” de “uso desnecessário ou desproporcional da força” por parte da Autoridade Palestina, ao mesmo tempo em que relata que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e outros grupos armados palestinos continuavam usando, naquela época, como “moeda de troca” os reféns israelenses — vivos e mortos — retidos na Faixa de Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2023.

Nessa linha, o relatório reúne testemunhos de reféns libertados sobre violência sexual e de gênero, torturas, agressões, confinamento prolongado e privação de alimentos, água e higiene durante seu período em cativeiro, ao mesmo tempo em que documenta a morte de 79 palestinos detidos em Israel, com os habitantes de Gaza “particularmente vulneráveis a torturas e outros maus-tratos”.

“CLIMA PERVERSO DE IMPUNIDADE” Por isso, lamenta o “clima perverso de impunidade” diante das graves violações dos direitos humanos por parte das autoridades israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados, sem que tenham sido dados “passos significativos” no seio de seu sistema judicial para obter responsabilização por esse tipo de violação.

O relatório apela, por isso, a todos os países para que “ponham fim à venda, transferência e desvio de armas, munições e outros equipamentos militares para Israel, uma vez que facilitam as violações do Direito Internacional Humanitário e do Direito Internacional dos Direitos Humanos nos Territórios Palestinos Ocupados”.

“Embora, no final do período abrangido pelo relatório, estivessem a ser envidados esforços para impulsionar o ‘Plano Integral para Pôr Fim ao Conflito de Gaza’, liderado pelos Estados Unidos, que entrou em vigor a 9 de outubro de 2025, a ausência de medidas para garantir a responsabilização pelas violações do direito internacional desde 7 de outubro de 2023 representa uma deficiência crítica”, salienta.

“A justiça para as vítimas deve estabelecer as bases para a reconstrução de Gaza”, argumenta o documento, que solicita aos Estados que garantam a participação imediata dos palestinos nas estruturas governamentais para determinar e dar forma à reconstrução de Gaza.

Por sua vez, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, sublinhou que “a impunidade não é algo abstrato: mata”. “A responsabilização é indispensável. É o pré-requisito para uma paz justa e duradoura na Palestina e em Israel”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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