Marwan Naamani / Zuma Press / Europa Press
MADRID 18 set. (EUROPA PRESS) -
As Nações Unidas alertaram nesta quinta-feira que cerca de 100 mil crianças no Líbano “não puderam retornar à escola devido a danos, destruição, insegurança e deslocamentos” em consequência da ofensiva lançada pelo Exército israelense, que continua violando o espaço aéreo, as águas e o território libanês.
“Cerca de 100 mil crianças não puderam retornar à escola devido a danos, destruição, insegurança e deslocamentos”, afirmou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, citando as autoridades libanesas.
Dujarric alertou que, desde o início da escalada, em 2 de março, “cerca de 40% das mais de 400 escolas sofreram ataques”, ficando 37 delas “totalmente destruídas” e outras 101 com “danos graves”.
Paralelamente, “o deslocamento também está interrompendo a educação”, destacou ele, estimando em cerca de 20% o número de crianças em idade escolar deslocadas desde março. “Atualmente, 16 mil pessoas deslocadas, incluindo 2.500 crianças, permanecem em 164 abrigos”, observou.
A situação apresenta um paralelo notável com a Cisjordânia, onde mais de 1.700 menores foram deslocados desde o início do ano devido à violência dos colonos, restrições de acesso e demolições administrativas, conforme informou na quinta-feira da semana passada o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que também alertou sobre a violência nesse território, onde “dez crianças palestinas morreram (...) durante as férias de verão”.
CONTINUAM OS ATAQUES ISRAELENSES NO LÍBANO
Na mesma coletiva de imprensa, Dujarric também mencionou as operações das Forças de Defesa de Israel (IDF) no Líbano, afirmando que a Força Interina das Nações Unidas para o Líbano (FINUL) registrou “152 violações do espaço aéreo libanês por parte das FDI nos últimos três dias, incluindo 309 trajetórias” de projéteis israelenses, “24 ataques aéreos e incursões em águas territoriais libanesas por parte de oito patrulheiras de defesa israelenses”.
Além disso, o porta-voz do secretário-geral da ONU declarou que “drones israelenses continuam lançando barris carregados de explosivos dentro da zona de operações da UNIFIL”, somando “pelo menos onze explosões entre segunda e quarta-feira” apenas em uma área próxima à localidade de Al Mansuri.
De fato, a Força Interina também foi alvo de diversas ações do Exército israelense, indicou ele, afirmando que naquela quarta-feira “um drone desarmado proveniente de uma posição das FDI ao sul da Linha Azul caiu perto de uma posição da UNIFIL em Hula”, onde, além disso, vários drones das forças israelenses “vigiaram tanto os trabalhos de resgate quanto a avaliação realizada pela UNIFIL no local do acidente”.
Israel não cessou suas operações militares contra seu vizinho do norte, apesar do acordo preliminar alcançado em 26 de junho com a mediação dos Estados Unidos, que estabelecia as bases para um cessar-fogo permanente e incluía o restabelecimento da soberania libanesa no sul do país, embora também previssesse o desarmamento do partido-milícia xiita libanês Hezbollah, que rejeitou categoricamente tal medida.
Desde então, Israel tem alegado razões de segurança e a recusa do Hezbollah em aceitar o acordo para justificar a continuação de suas operações militares no sul do Líbano, no contexto da nova invasão desencadeada depois que o grupo lançou projéteis contra o país em resposta à ofensiva conjunta lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
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