Publicado 21/07/2026 07:40

A ONU acusa Israel de “intensificar” seus ataques contra Gaza: “Nenhum lugar é seguro”

O Escritório de Direitos Humanos da ONU ressalta que “o sofrimento e a miséria” dos palestinos em Gaza “não podem ser ignorados”

21 de julho de 2026, Cidade de Gaza, Faixa de Gaza, Território Palestino: Pessoas em luto se despedem dos corpos de Firas al-Masri, sua esposa e seus quatro filhos, após terem sido mortos em um ataque aéreo israelense que teve como alvo uma casa pertencen
Europa Press/Contacto/Bilal Osama

MADRID, 21 jul. (EUROPA PRESS) -

As Nações Unidas acusaram, nesta terça-feira, Israel de “intensificar” seus ataques contra a Faixa de Gaza nos últimos dias, causando dezenas de vítimas civis, e reiterou que “nenhum lugar é seguro” no enclave, apesar do cessar-fogo acordado em novembro de 2025, na sequência da proposta apresentada pelos Estados Unidos.

“O Exército de Israel intensificou, nos últimos dias, seus ataques em Gaza, causando a morte e ferimentos a dezenas de palestinos: crianças, mulheres e homens”, afirmou o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Thameen al Kheetan, que destacou que esses bombardeios “atingiram prédios residenciais, pelo menos uma barraca que abrigava deslocados internos e outras áreas densamente povoadas”.

“Nove meses após o anúncio de um cessar-fogo, nenhum lugar é seguro para os palestinos em Gaza”, afirmou, ao mesmo tempo em que destacou que o escritório confirmou a morte de 685 palestinos, incluindo 283 mulheres e crianças, entre outubro de 2025 e meados de abril de 2026. “Nosso trabalho de verificação continua em andamento”, disse ele.

Nesse sentido, ele especificou que o órgão documentou a morte de pelo menos 57 palestinos entre 13 e 20 de junho, incluindo seis crianças, antes de destacar que 34 deles “foram assassinados longe da ‘linha amarela’ imposta por Israel”, na qual suas tropas estão posicionadas e que ocupa mais da metade da Faixa de Gaza.

“O assassinato de civis nesses ataques suscita preocupação com as contínuas violações do Direito Internacional Humanitário, crimes de guerra e outros possíveis crimes de atrocidades em Gaza”, precisou Al Kheetan, que lembrou que “segundo o Direito Internacional, atacar deliberadamente civis constitui um crime de guerra”.

Por outro lado, lamentou que a população palestina em Gaza “permaneça presa em uma área cada vez mais reduzida, com a ‘linha amarela’ sendo constantemente deslocada para o oeste pela potência ocupante israelense”, o que “representa uma ameaça contínua à vida” dos palestinos.

Al Kheetan criticou o fato de que “o Exército israelense parece atirar rotineiramente contra os palestinos pelo simples fato de estarem próximos a essa linha, violando o Direito Internacional dos Direitos Humanos e o Direito Internacional Humanitário”.

“As violações, o sofrimento e a miséria que os palestinos em Gaza continuam a suportar não podem ser ignorados”, destacou o porta-voz, que insistiu que a comunidade internacional “deve tomar medidas urgentes para exigir o pleno respeito ao cessar-fogo, pôr fim a todas as violações e garantir a prestação de contas e a justiça”.

O Ministério da Saúde de Gaza elevou nesta mesma terça-feira para 1.168 o número de mortos e para 3.798 o de feridos em decorrência dos ataques de Israel desde o cessar-fogo, período em que também foram recuperados 802 corpos das áreas das quais as tropas israelenses se retiraram em conformidade com o referido acordo.

Além disso, informou que, desde o início da ofensiva lançada por Israel contra o enclave após os ataques de 7 de outubro de 2023 — que deixaram cerca de 1.200 mortos e cerca de 250 sequestrados, segundo o balanço oficial—, foram registrados 73.293 mortos e 173.906 feridos, entre eles dez mortos e 42 feridos em ataques perpetrados por Israel nas últimas 24 horas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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