Publicado 22/04/2026 03:00

ONG de direitos civis é acusada nos EUA de "desviar" fundos para extremistas "a fim de justificar sua existência"

O diretor da ONG acusa o governo Trump de se tornar “uma arma para destruir os direitos das pessoas mais vulneráveis”

1º de abril de 2026, Washington, Distrito de Columbia, EUA: Todd Blanche, vice-procurador-geral dos Estados Unidos, enquanto o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, empossa Colin McDonald como procurador-geral adjunto para a Repressão à Fraude Nac
Europa Press/Contacto/Will Oliver - Pool via CNP

MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira, em conjunto com o FBI (Federal Bureau of Investigation), a acusação de até onze crimes relacionados a fraude eletrônica e lavagem de dinheiro contra a ONG de direitos civis Southern Poverty Law Center (SPLC), à qual atribuiu desvios de dinheiro para grupos extremistas “para justificar sua existência”.

"Entre 2014 e 2023, o SPLC desviou secretamente mais de 3 milhões de dólares em doações para pessoas ligadas a diversos grupos extremistas violentos, como a Ku Klux Klan, a Aryan Nations e o Partido Nacional-Socialista da América”, afirmou o Departamento de Justiça em um comunicado que se faz eco da acusação formal apresentada por um grande júri no estado do Alabama.

Especificamente, o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, que dirige o Departamento de Justiça interinamente após a saída de Pam Bondi, alegou que “o SPLC está criando racismo para justificar sua existência”.

“O uso do dinheiro dos doadores para supostamente lucrar às custas de membros da Ku Klux Klan não pode ficar impune”, defendeu Blanche, que prometeu que o Departamento de Justiça “exigirá responsabilidades do SPLC e de qualquer outra organização fraudulenta que opere com o mesmo modus operandi enganoso”.

Da mesma forma, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que essa ONG “mentiu aos seus doadores, prometendo desmantelar grupos extremistas violentos, e, na verdade, pagou aos líderes desses mesmos grupos extremistas, inclusive utilizando os fundos para que esses grupos facilitassem a prática de crimes estaduais e federais”.

De acordo com a acusação, a partir da década de 1980, o SPLC, uma organização sem fins lucrativos em prol da justiça racial no sul dos Estados Unidos, começou a operar uma rede clandestina de indivíduos ligados a grupos violentos e extremistas, como a Ku Klux Klan, ou que se haviam infiltrado nesses grupos sob a direção da própria entidade.

Especificamente, o Departamento de Justiça constatou que, conforme exposto na acusação, a referida ONG “desviou, entre 2014 e 2023, mais de 3 milhões de dólares em doações para indivíduos ligados” a esses grupos, entre os quais também destacou o Partido Nazista e o Movimento Nacional-Socialista.

No entanto, o diretor executivo interino do SPLC, Bryan Fair, defendeu que os responsáveis pela organização compartilhavam “frequentemente” informações de informantes com as forças de segurança locais e federais, incluindo o FBI, mas que já não trabalham com informantes remunerados.

Em um discurso divulgado horas antes do anúncio do Ministério da Justiça, Fair destacou que “essas pessoas arriscaram suas vidas para se infiltrar e informar sobre as atividades dos grupos extremistas mais radicais e violentos de nossa nação”.

Além disso, alegou que, quando a ONG começou a trabalhar com informantes, o movimento pelos direitos civis estava “em pleno auge”, em um momento em que se repetiam “atentados a bomba em igrejas, violência estatal contra manifestantes e assassinatos de ativistas que ficaram impunes”.

Por outro lado, o líder do Southern Poverty Law Center prometeu que a organização defenderá “energicamente” a si mesma, seu pessoal e seu trabalho, e denunciou que “o governo federal se tornou uma arma para desmantelar os direitos das pessoas mais vulneráveis de nosso país e de qualquer organização como a nossa que se oponha a eles”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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