Atilano Garcia / Zuma Press / Europa Press
MADRID 17 set. (EUROPA PRESS) -
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta quinta-feira que o sistema de saúde do Iêmen está “à beira do colapso” devido ao recrudescimento das hostilidades entre os rebeldes huti e as forças do governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, em um país onde quase 20 milhões de pessoas precisam de atendimento médico.
“A escalada da violência no Iêmen está causando mais vítimas e deslocamentos, o que leva um sistema de saúde já de si frágil à beira do colapso”, afirmou ele em suas redes sociais.
Os combates, aliados às dificuldades de acesso às áreas afetadas e à escassez de recursos, estão limitando “gravemente” o trabalho da agência da ONU para atender aos feridos, lamentou Tedros em uma mensagem na qual exortou as partes a protegerem os profissionais de saúde e os centros de saúde.
Nesse sentido, o chefe da OMS exigiu que “se garanta um acesso seguro e sem obstáculos aos parceiros humanitários e se aumente o apoio internacional para atender a necessidades que crescem rapidamente”.
De acordo com os dados das Nações Unidas, cerca de 17,8 milhões de pessoas não têm acesso adequado a serviços de saúde, água e saneamento, e apenas 60% dos centros de saúde estão operando em plena capacidade no Iêmen.
Os houthis lançaram uma ofensiva em áreas das províncias de Taiz e Hodeida e, desde então, conseguiram avanços territoriais significativos, incluindo a tomada da cidade de Mocha e dos arredores do estreito de Bab el Mandeb, o que representou um duro golpe para as autoridades reconhecidas internacionalmente, apoiadas pela Arábia Saudita.
Esses avanços aumentam a capacidade dos rebeldes de afetar o tráfego marítimo em Bab el Mandeb — algo que eles já prometeram não fazer —, cuja importância aumentou devido aos transtornos no tráfego no estreito de Ormuz após a ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A situação ameaça provocar o colapso total da trégua alcançada em 2022, após anos de guerra e em meio às tentativas mediadas pela Organização das Nações Unidas para alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito iniciado em 2014, o qual mergulhou o país em uma das crises internacionais mais graves do mundo.
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