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Teerã insiste que a nova rodada de contatos indiretos em Genebra “está centrada na questão nuclear” MADRID 26 fev. (EUROPA PRESS) -
O governo de Omã destacou nesta quinta-feira que existe “uma abertura sem precedentes” por parte das delegações negociadoras dos Estados Unidos e do Irã a “ideias e soluções novas e criativas” para resolver suas diferenças sobre o programa nuclear iraniano, após o início de uma terceira rodada de conversas indiretas na cidade suíça de Genebra.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al Busaidi, destacou que esses esforços “continuam com diligência e espírito construtivo” para aproveitar “a abertura sem precedentes dos negociadores a ideias e soluções novas e criativas” e “a criação de condições que apoiem o progresso e a obtenção de um acordo justo e com garantias sustentáveis”.
Al Busaidi reuniu-se no início do dia com a delegação dos Estados Unidos, formada por Steve Witkoff e Jared Kushner, para “abordar as opiniões e propostas da parte iraniana e as respostas e perguntas da equipe negociadora americana” sobre os aspectos relacionados ao programa nuclear, com o objetivo de chegar a um acordo.
Além disso, ele se reuniu com o diretor-geral da Organização Internacional de Energia Atômica (OIEA), Rafael Grossi, para tratar das “novas ideias que estão sendo negociadas entre as partes iraniana e americana, coincidindo com o lançamento da nova rodada de negociações indiretas entre elas”.
Nesse sentido, destacou a importância do “papel profissional e técnico que a AIEA desempenha na garantia da transparência, credibilidade e gestão dos procedimentos relacionados” com os termos de um possível acordo nuclear entre os Estados Unidos e o Irã.
Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, ressaltou que esta nova rodada de contatos “está centrada na questão nuclear”, descartando que outros temas estejam sendo abordados, como o programa balístico do Irã ou sua situação interna, conforme reivindicado por Washington.
“Nossas posições e considerações foram apresentadas ontem à noite (quarta-feira) à parte omanense. Esta manhã, começaram as discussões entre as partes americana e omanense”, disse ele, antes de antecipar que, nos próximos minutos, haverá novas “conversas indiretas”, nas quais Grossi “provavelmente participará”.
“Parte do nosso trabalho é analisar os pontos de vista e os comentários dos funcionários americanos”, sublinhou o porta-voz da diplomacia iraniana, antes de insistir que “as contradições não ajudam a fazer avançar o processo diplomático”, tal como foi transmitido pela televisão pública iraniana, IRIB.
Washington aumentou nas últimas semanas seu destacamento militar no Oriente Médio, em meio às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegam mesmo apesar de ambos os países já terem iniciado negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano.
Trump, que inicialmente ameaçou com uma intervenção militar devido à repressão dos últimos protestos no Irã, passou posteriormente a enquadrar suas advertências no programa nuclear iraniano, que Teerã afirma ter fins exclusivamente pacíficos e que sofreu um duro golpe com os bombardeios israelenses e americanos em junho de 2025, que deixaram mais de 1.100 mortos no país asiático.
Até o momento, Teerã tem demonstrado desconfiança em reabrir as negociações com Washington devido à referida ofensiva, uma vez que ela ocorreu em meio a um processo diplomático entre o Irã e os Estados Unidos para chegar a um novo acordo nuclear, depois que o acordo assinado em 2015 ficou sem conteúdo após a retirada unilateral do país norte-americano em 2018 por decisão do próprio Trump.
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