DESARTICULADA LA PRIMERA CÉLULA TERRORISTA SUPREMA
A recente Estratégia Antiterrorista de Trump não inclui o terrorismo de extrema direita como uma ameaça
MADRID, 17 maio (EUROPA PRESS) -
O Observatório Internacional de Estudos sobre Terrorismo (OIET) registrou 190 incidentes de extrema direita em 15 países durante 2025, colocando os Estados Unidos como epicentro global, com 99 incidentes (52,1% do total).
“Os Estados Unidos não apenas concentram a maior atividade extremista, mas também desempenham um papel de exportador de modelos organizacionais, táticas e ideologias”, afirma o relatório do OIET, ao qual a Europa Press teve acesso.
No caso da Espanha, o relatório destaca a operação policial que resultou no desmantelamento de uma célula aceleracionista do grupo The Base em Castellón, em novembro de 2025. A polícia apreendeu manuais táticos, planos de sabotagem e infraestruturas de comunicação criptografadas.
“O caso confirma que a Espanha passou de um espaço de trânsito ideológico para um território onde o extremismo de direita pode se estruturar com fins terroristas”, indicou.
GRUPOS DOS EUA COMO FONTES DE INSPIRAÇÃO
O relatório deste órgão analisou a atividade de grupos norte-americanos como o Patriot Front ou o Blood Tribe como fontes de inspiração para células na Europa e na Oceania. Também destaca o impacto de ideólogos norte-americanos que conseguem radicalizar públicos internacionais por meio de plataformas digitais.
Com 24 incidentes, contra nove em 2024, o Reino Unido surge como o segundo país mais afetado globalmente, em um contexto marcado pelas consequências do Brexit, tensões raciais históricas e a atividade de grupos neonazistas organizados como o Patriotic Alternative.
As duas correntes ideológicas que dominam o panorama extremista de 2025 são o neonazismo, com 29,5% dos incidentes, e a supremacia branca, com 22,5%. “Ambas as ideologias demonstraram uma notável capacidade de adaptação aos ecossistemas digitais e de atração entre as novas gerações”, alerta o OIET.
TERRORISMO PSICOLÓGICO
O relatório enfatiza o chamado “terrorismo psicológico”, que é a atividade extremista dedicada a criar climas de medo que restrinjam as atividades das comunidades-alvo, corroam sua sensação de segurança e desestimulem a participação política, sem a necessidade de ultrapassar os limites legais que facilitariam processos criminais.
Nesse sentido, apontam plataformas digitais como o TikTok ou o YouTube como os principais espaços de radicalização e mobilização do extremismo de direita, graças à combinação de algoritmos, aplicativos criptografados ou ao uso de criptomoedas para canalizar o financiamento de forma anônima.
Os 33 julgamentos, 22 prisões e 29 ações legais e administrativas documentadas em 2025 evidenciam, para o OIET, uma maior capacidade de reação por parte das autoridades, embora haja dúvidas se isso seja suficiente para prevenir e desmantelar essas infraestruturas.
ESTRATÉGIA ANTITERRORISTA DOS EUA
As conclusões do relatório do OIET contrastam com a visão que os Estados Unidos têm sobre esse tipo de extremismo. Justamente, o governo de Donald Trump apresentou recentemente sua nova Estratégia Antiterrorista, um documento de 16 páginas no qual em nenhum momento é mencionada a ameaça do terrorismo de extrema direita.
“A ameaça terrorista mudou”, afirma a estratégia elaborada pela Casa Branca, consultada pela Europa Press, na qual se reconhece que o país enfrenta “novas categorias e combinações de atores violentos que tornam os métodos estabelecidos de combate ao terrorismo insuficientes ou obsoletos”.
Especificamente, denuncia que os Estados Unidos enfrentam “uma infinidade de ameaças de grupos terroristas e atores não estatais, muitas vezes apoiados secretamente por governos que querem nos enfraquecer”, embora não mencione nenhum país.
E identifica três os principais grupos terroristas a serem combatidos: “bandas narcoterroristas e transnacionais; terroristas de tradição islâmica; e extremistas violentos de extrema esquerda, incluindo anarquistas e antifascistas”.
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