Europa Press/Contacto/Carlos Garcia Granthon
MADRID 15 abr. (EUROPA PRESS) -
A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA) para as eleições gerais no Peru assinalou nesta terça-feira que, embora as eleições tenham decorrido de forma “pacífica” e “ordenada”, foram registradas falhas logísticas e técnicas, bem como “atrasos consideráveis” que, inclusive, chegaram a alimentar as “narrativas de fraude difundidas em alguns setores políticos” desde a campanha pré-eleitoral.
“Nos locais observados, as eleições transcorreram de forma pacífica e ordenada. No entanto, a MOE/OEA pôde observar a organização de protestos em frente a prédios das autoridades eleitorais, após o dia das eleições”, indicou a organização no primeiro relatório elaborado em relação a esta votação no país andino.
No referido documento, no qual a Missão faz um diagnóstico do desenrolar da jornada, a OEA apresenta uma série de recomendações para o segundo turno presidencial, previsto para o próximo dia 7 de junho, no que diz respeito à logística e à tecnologia.
Devido aos atrasos no envio do material eleitoral, especialmente na Região Metropolitana de Lima, que provocaram um “atraso considerável na abertura de algumas seções eleitorais” e que “a votação em treze centros eleitorais” teve que ser prolongada até esta segunda-feira porque houve seções que não puderam ser instaladas no domingo, a Missão defendeu a identificação das causas e o estabelecimento de medidas específicas para que isso não se repita, ao mesmo tempo em que se revisam os planos de contingência para responder de maneira “oportuna” a possíveis “emergências ou contratempos”.
Nesse sentido, o documento mencionou “atrasos consideráveis” nas mesas tanto em nível nacional quanto no exterior, mas especialmente em zonas da Região Metropolitana de Lima e do Callao, o que provocou a formação de longas filas de eleitores, levando em conta que, no domingo, o horário médio de abertura excedeu em uma hora o estipulado pela normativa vigente, o que levou o plenário do Jurado Nacional de Eleitores (JNE) a prorrogar o prazo para a instalação das mesas de votação e a estender o horário de votação.
Esse atraso na abertura dos locais, nas palavras da MOE/OEA, “alimentou as narrativas de fraude difundidas em alguns setores políticos desde a fase pré-eleitoral e gerou declarações de repúdio de diversas forças políticas e manifestações cidadãs”.
Por outro lado, no âmbito tecnológico, a Missão destacou a importância de planejar simulações nas quais sejam testados, simultaneamente, “todos os componentes e sistemas tecnológicos que serão implementados durante o dia da votação, com uma carga de trabalho não inferior a 70% do fluxo esperado para o dia das eleições”.
Nessa linha, o relatório destacou a instalação da Solução de Apoio à Apuração (STAE), que requer um conjunto de tarefas prévias, como a configuração do equipamento, verificação da conectividade, inserção de credenciais, geração de certificados, testes de impressão e geração da ata inicial.
A esse respeito, a Missão declarou ter registrado “atrasos adicionais” na abertura das seções eleitorais, agravados por interrupções na conectividade, falhas nos cartuchos de tinta ao imprimir a ata inicial e tempos prolongados de resposta do centro de assistência, o que levou alguns locais a optar por iniciar a votação pelo método tradicional, priorizando a continuidade do processo.
É por isso que a MOE/OEA recomendou realizar uma análise integral das tarefas prévias à instalação dos equipamentos tecnológicos da STAE para identificar oportunidades de simplificação, paralelização e otimização; fortalecer o planejamento logístico para que o material chegue com antecedência, ou que as mesas tenham material de contingência suficiente para garantir que a STAE opere de maneira fluida.
Por sua vez, a organização defendeu o estabelecimento de um programa “mais rigoroso” de testes operacionais com o objetivo de detectar pontos fracos, validar tempos reais, fortalecer a capacitação de assistentes técnicos e redesenhar o modelo de central de atendimento, aumentando sua equipe operacional e avaliando a incorporação de ferramentas especializadas de suporte que permitam escalar o atendimento de forma dinâmica, uma vez que essa central “durante as duas primeiras horas” do dia eleitoral se mostrou “insuficiente”.
Com pouco menos de 20% dos votos a serem apurados, a candidata da Fuerza Popular (FP), Keiko Fujimori, está se consolidando como vencedora do primeiro turno das eleições gerais do Peru, com 16,8% dos votos. Seguem-se o Renovación Popular, liderado por Rafael López Aliaga, com 12,4%; o Partido do Bom Governo, com 11,5%; e o Juntos pelo Peru, com 10,9%.
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