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MADRID 30 jun. (EUROPA PRESS) -
O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira que o país norte-americano se encontra na mesma situação de antes da guerra com o Irã, “ou até mesmo um pouco pior”, uma vez que ainda não se conhece o plano para conter o programa nuclear de Teerã, em uma defesa do acordo alcançado durante seu mandato na Casa Branca e que “estava funcionando”.
Em entrevista à emissora norte-americana NBC, o ex-presidente lamentou que Washington continue na mesma situação em relação à questão nuclear do Irã, apesar de os Estados Unidos terem gasto “milhares de milhões de dólares e submetido as Forças Armadas a uma enorme pressão”, em uma guerra na qual “muitas pessoas morreram”.
“Parece que voltamos ao ponto em que estávamos antes de iniciar a guerra, embora talvez em uma situação até um pouco pior”, argumentou.
Obama indicou que a “justificativa” para a ofensiva militar eram as aspirações nucleares de Teerã, embora tenha lembrado que o Plano de Ação Conjunto Abrangente (JCPOA, na sigla em inglês), acordado durante seu mandato, estabelecia que o Irã não desenvolveria armas nucleares. “Toda a comunidade internacional — incluindo os serviços de inteligência israelenses e nossas próprias agências de inteligência — considerava que esse acordo estava funcionando”, ressaltou.
Nesse sentido, ele lembrou que o governo de Donald Trump, em seu primeiro mandato, decidiu se retirar do acordo, o que levou posteriormente o Irã a desenvolver uma maior capacidade nuclear.
Dessa forma, lamentou que, por enquanto, não se saiba qual é o plano que Washington busca agora para controlar o programa nuclear iraniano; por isso, evitou comparações com o acordo estabelecido por seu governo.
“Ainda não sei qual é esse plano. Portanto, até que eu o veja, até que haja algum documento público que indique exatamente em que consiste o acordo, não tenho como compará-lo com o plano que desenvolvemos após muitos anos de trabalho”, argumentou.
Obama ressaltou, de qualquer forma, que um cessar-fogo nas hostilidades com o Irã é positivo, já que isso melhora a situação das populações que sofrem com a guerra. “Fico muito feliz em ver um cessar-fogo e espero que ele se mantenha. Temos a tendência de esquecer que, em qualquer guerra, quem arca principalmente com o peso do conflito são as pessoas comuns, pessoas que simplesmente tentam viver suas vidas e cuidar de suas famílias”, disse ele.
Da mesma forma, em relação à reabertura do Estreito de Ormuz, ele avaliou que, com o tempo, “isso trará algum alívio para as pessoas comuns diante dos altos preços da gasolina e da energia”, embora tenha se mostrado cauteloso quanto aos acordos que possam surgir durante os 60 dias de trégua estabelecidos pelo acordo preliminar assinado pelos Estados Unidos e pelo Irã no último dia 18 de junho.
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