Ulloa minimiza a perseguição a jornalistas em El Salvador e acusa-os de conivência com as gangues para “vender livros” MADRID 18 fev. (EUROPA PRESS) -
O vice-presidente de El Salvador, Félix Ulloa, justificou que o presidente Nayib Bukele tenha quebrado o “bloqueio constitucional” para poder se candidatar a quantas eleições quisesse, já que conta com o apoio da maioria do país. “Não é que ele esteja se reeleger, é que continua gozando do apoio popular”, justificou.
“91,9% dos salvadorenhos apoiam sua gestão”, defendeu ele nesta quarta-feira em uma conversa com a imprensa organizada pela agência EFE na Casa América, em Madri. Assim, ele enfatizou que Bukele age com base no apoio da cidadania, que primeiro lhe deu a Presidência e depois o controle da Assembleia.
“O povo diz: ‘você está me dando o que eu quero, então vou lhe dar outra chance’ (...) Então decidimos fazer essas modificações constitucionais” que respondem, segundo Ulloa, às “dinâmicas da sociedade democrática, onde os povos tomam decisões de maneira livre, direta e segura”.
Ulloa minimizou as críticas sobre essas mudanças na Constituição para permitir a reeleição indefinida e adiantou que Bukele continuará se candidatando, a um ano das novas eleições. “Caso contrário, ele decepcionaria o povo”, afirmou em um evento em que não poupou ataques à imprensa.
“Decidimos fazer essas modificações constitucionais para abrir as portas para que ele pudesse fazer primeiro um segundo mandato e agora todas as vezes que o povo quiser, ele pode se candidatar, mas se o povo não votar nele, quantos se candidataram em vários países da América Latina e não foram eleitos?”, justificou.
Ulloa explicou que esse apoio de que Bukele desfruta se reflete no alto grau de aceitação do regime de exceção, que está prestes a completar quatro anos, durante os quais cerca de 100.000 pessoas foram detidas por supostas ligações com gangues, das quais 8.000 foram libertadas.
“96% querem que ele continue. Então, por que removê-lo?”, questionou Ulloa sobre um período durante o qual a Comissão Interamericana de Direitos Humanos registrou 7.000 casos de denúncias sobre diversas violações, incluindo detenções ilegais, torturas e a morte de mais de 400 pessoas sob custódia. “As pessoas morrem nas prisões, em todos os lugares”, descartou. Com relação a essa questão, ele defendeu que, embora possam existir casos de funcionários específicos que cometeram violações dos direitos humanos — os quais são perseguidos, garante —, não se trata de uma política de Estado, como as ONGs, organizações internacionais ou a imprensa querem fazer crer.
“Nunca, desde que foi decretado em 27 de março de 2022, afetou uma única liberdade pública”, assegurou Ulloa sobre um regime de exceção que afeta, explicou ele, duas garantias constitucionais: a detenção sem acusação — que passa de 72 horas para quinze dias — e a privacidade da correspondência.
ATAQUES À IMPRENSA Da mesma forma, Ulloa criticou os meios de comunicação que insistem em perguntar-lhe sobre os presos nas prisões do seu país, onde, segundo o jornalista no exílio Óscar Martínez, um em cada 57 salvadorenhos se encontra sem ter recebido um julgamento justo, em vez de, por exemplo, perguntar sobre a recuperação do turismo.
“A imprensa tem sua agenda (...) eles não querem colocar o país onde ele deve estar, mas sim seguir a agenda”, enfatizou em suas críticas, ao mesmo tempo em que negou que haja jornalistas que tiveram que sair do país por medo de represálias por seu trabalho, como aqueles que revelam a relação de Bukele com as gangues.
Assim, ele garantiu que aqueles que vão embora o fazem porque “acabou o negócio de negociar informações sobre a violência” e citou o caso do El Faro, um dos meios de comunicação que revelou as ligações de Bukele com as gangues. Nesse sentido, acusou os jornalistas de “conviver com as gangues” para “vender livros”. Ulloa afirmou que esses jornalistas que conviveram com as gangues podem muito bem ter cometido um crime por omissão, já que durante o tempo que passaram com elas registraram os crimes que cometeram e não os denunciaram ao Ministério Público.
“Esses são os que apareceram e esses são os que encontram eco aqui, porque há uma agenda a seguir”, desdenhou o vice-presidente salvadorenho.
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