Publicado 13/09/2026 09:29

O número de deslocados devido aos combates no Iêmen chega a mais de 82.000, incluindo mais de 2.000 que chegaram a Djibuti

Archivo - Arquivo - Imagem de arquivo dos rebeldes hútis no Iêmen.
Osamah Yahya/dpa - Arquivo

A OIM lamenta que o Iêmen “seja um país devastado pela pobreza e pelo conflito” que “não consegue enfrentar a crise sozinho”

MADRID, 13 set. (EUROPA PRESS) -

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estimou neste domingo em mais de 82 mil o número de pessoas deslocadas devido à ofensiva lançada na semana passada pelos houthis no oeste do Iêmen, que permitiu aos rebeldes tomar a faixa litorânea do Mar Vermelho, incluindo mais de 2.000 pessoas que fugiram por mar em direção a Djibuti.

O órgão informou que 82.164 pessoas fugiram de suas casas desde o início do mês e destacou que mais de 2.000 chegaram às costas do norte de Djibuti, chegando a pontos nos arredores de Obock, o que levou as autoridades locais a acionar uma resposta de emergência apoiada pela ONU.

“Por trás de cada número há uma família que perdeu tudo”, afirmou a diretora-geral da OIM, Amy Pope, que lembrou que “muitas pessoas foram deslocadas repetidas vezes” desde o início do conflito no Iêmen, em 2014.

“Elas atravessam o mar sem nada porque não têm outra opção. O Iêmen é um país dilacerado pela pobreza e pelo conflito e não pode enfrentar essa crise sozinho”, declarou ela, antes de fazer um apelo aos doadores para que “aumentem seu apoio imediatamente”, “tanto para aqueles que chegam a Djibuti quanto para as comunidades de Obock que os acolhem”.

A OIM destacou que a província iemenita de Taiz é o epicentro dos deslocamentos, com cerca de 56 mil deslocados, aos quais se somam 19 mil deslocados em Laj e 8 mil deslocados em Hodeida, principalmente vindos de Hays. A eles somam-se cerca de 2.500 deslocados da cidade de Áden, no sul do país.

Por outro lado, a OIM destacou as dificuldades de acesso causadas pelo bloqueio de estradas e rotas de abastecimento devido aos combates, razão pela qual reiterou seu apelo por acesso humanitário irrestrito e pela proteção de civis e trabalhadores humanitários.

Os houthis lançaram, em 3 de setembro, uma ofensiva em áreas das províncias de Taiz e Hodeida e, desde então, conseguiram avanços territoriais significativos, incluindo a tomada da cidade de Moca e de outros pontos na costa do Mar Vermelho, o que representou um duro golpe para as autoridades reconhecidas internacionalmente.

Esses avanços aumentam a capacidade dos rebeldes de afetar o tráfego marítimo em Bab el Mandeb — algo que eles já prometeram não fazer —, cuja importância aumentou devido aos impactos no tráfego no Estreito de Ormuz após a ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

A situação ameaça provocar o colapso total da trégua alcançada em 2022, após anos de guerra e em meio às tentativas mediadas pela Organização das Nações Unidas para alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito iniciado em 2014, que mergulhou o país em uma das crises internacionais mais graves.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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