CÁDIZ 27 jun. (EUROPA PRESS) -
A Guarda Civil desmantelou um grupo criminoso especializado e itinerante, de grande periculosidade, que estava prestes a assaltar outra organização criminosa em Cádiz com o objetivo de roubar um estoque de entorpecentes, o que na gíria policial é conhecido como “vuelco”. No âmbito da operação, batizada de “Asher”, foram detidas nove pessoas e realizadas 17 buscas nas localidades sevilhanas de Dos Hermanas, Alcalá de Guadaíra, Carmona, Utrera e Sevilha.
Conforme detalhado pela Guarda Civil em um comunicado, a operação teve início em novembro passado, quando a Polícia Local de Conil de la Frontera (Cádiz) descobriu que, em uma residência da região, destinada ao aluguel turístico, poderia estar escondido um veículo roubado. Ao chegarem ao local, os moradores da propriedade questionaram a presença dos policiais, ao mesmo tempo em que lhes indicavam que várias pessoas estavam fugindo pelo fundo da propriedade.
Por isso, os policiais solicitaram reforço de mais unidades da Polícia Local e da Guarda Civil, o que resultou na revista da propriedade em questão e na apreensão de dois veículos roubados com placas falsas. Segundo informações da Guarda Civil, descobriu-se que o interior de um deles havia sido esvaziado para aumentar sua capacidade de carga, com o objetivo de armazenar drogas roubadas de outro grupo criminoso. Também foram encontradas inúmeras armas e munições, entre as quais se destacavam um fuzil de assalto, uma pistola e outra pistola, bem como balizas de rastreamento, coletes à prova de balas e equipamentos policiais.
Essas evidências levaram ao início da operação “Asher”, conduzida pela Unidade Orgânica da Polícia Judicial, Seção de Patrimônio, do comando de Cádiz. Em primeiro lugar, as investigações permitiram determinar que o grupo criminoso era responsável pelo violento assalto a uma joalheria de Córdoba em Arcos de la Frontera (Cádiz), no qual os agressores causaram ferimentos graves à vítima. Esses fatos deram origem a uma investigação, batizada de “Qurtuba”, cuja fase de execução ocorreu em janeiro deste ano.
Após a coleta de indícios e depoimentos, concluiu-se que os membros dessa organização criminosa haviam se apropriado de dois veículos roubados, cujas placas de matrícula foram “dobradas”. E que, posteriormente, se deslocaram à cidade de Conil de la Frontera para alugar uma residência isolada e discreta, de onde preparariam uma ação criminosa que lhes renderia lucros muito significativos.
“POLÍCIA COMPLETA”
Pelo número e pelo calibre das armas de fogo apreendidas, bem como pela presença de equipamentos policiais, como roupas estampadas com logotipos de corpos policiais ou letreiros giratórios de veículos oficiais, concluiu-se que os criminosos pretendiam se passar por policiais para executar o roubo no depósito de entorpecentes, adotando a aparência policial conhecida na gíria como “Polícia completa”.
Posteriormente, a intenção deles era vender a droga roubada a diversas organizações que abastecem com narcóticos as diferentes áreas marginais da capital sevilhana. Além desses fatos, descobriu-se que o grupo criminoso também estava envolvido na prestação de segurança nas áreas de esconderijo de grupos de traficantes de drogas.
De fato, a Guarda Civil informou que um dos detidos chegou a atirar em um guarda civil, no verão do ano passado, durante uma operação de desmantelamento de esconderijo que ocorreu na foz do rio Guadalquivir, na província de Cádiz.
Dada a periculosidade dos criminosos, no último dia 15 de junho, numerosos efetivos da Guarda Civil foram mobilizados na província de Sevilha para realizar 17 buscas domiciliares, penetrando no bairro sevilhano de Las Tres Mil Viviendas, o que resultou na prisão de nove pessoas, entre as quais se encontra um menor de idade, e a investigação de um décimo suspeito que atualmente se encontra preso.
Durante as buscas, foram apreendidos mais de 45.000 euros em dinheiro, uma pistola de calibre 9 mm, grande quantidade de munição, diversos celulares, joias e relógios, três carros e uma motocicleta, além de grande quantidade de documentação e objetos que os relacionavam diretamente aos fatos investigados.
A operação “Asher” foi conduzida pela Equipe de Crimes contra o Patrimônio da Guarda Civil de Cádiz. A operação está sob a responsabilidade do juiz do 6º Tribunal de Chiclana de la Frontera.
Todas essas investigações ocorreram simultaneamente às realizadas para o esclarecimento do assalto à joalheria, sendo necessário conciliar as ações policiais com a decisão judicial proferida após a apresentação dos suspeitos à justiça no âmbito da operação “Qurtuba”.
Os detidos são suspeitos de terem cometido os crimes de roubo com violência e intimidação, tráfico de armas, armazenamento de armas de guerra, posse ilícita de armas, crimes contra a saúde pública, roubo e furto de veículos, falsificação de documentos e desobediência grave.
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