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BRUXELAS 14 jul. (EUROPA PRESS) -
Nove países-membros da União Europeia exigiram ao comissário europeu para a Equidade Intergeracional, Juventude, Cultura e Esporte, Glenn Micallef, que o Comitê Olímpico Internacional (COI) seja excluído do programa Erasmus e de outros fundos europeus, após ter permitido que a Rússia e a Bielorrússia retornassem às Olimpíadas.
Em uma carta conjunta liderada pela Estônia, os ministros da Cultura desse país, da Dinamarca, Finlândia, Letônia, Lituânia, Países Baixos, Polônia, Romênia e Suécia solicitaram que tanto o COI quanto a Federação Internacional de Esgrima (FIE) e a World Aquatics sejam excluídos dos programas de financiamento da União Europeia, assim como já foi feito com a Bienal de Veneza por permitir a participação da Rússia.
“Queremos expressar nossa profunda preocupação com o fato de que certas organizações esportivas internacionais tenham optado por não alinhar suas decisões aos nossos valores fundamentais. Ao fazer isso, demonstraram uma clara divergência em relação aos valores nos quais se baseia a União Europeia”, argumentaram os signatários em sua carta.
Os ministros lembraram que tanto o Conselho Europeu quanto o Conselho de Educação, Juventude, Cultura e Esporte solicitaram repetidamente às organizações esportivas internacionais que não permitissem a participação de atletas, treinadores, árbitros e dirigentes russos e bielorrussos até o fim da invasão da Ucrânia.
Segundo denunciam, o COI e outras federações decidiram não seguir essa recomendação, apesar de os atletas ucranianos “não poderem treinar nem se preparar em condições de igualdade”, já que muitos deles foram deslocados, foram diretamente afetados pela destruição causada pela guerra ou optaram por defender seu país e seus concidadãos.
“À luz das tendências recentes (...) solicitamos à Comissão Europeia que considere as medidas necessárias para garantir que as organizações cujas ações sejam incompatíveis com os valores da União Europeia não se beneficiem do financiamento da UE”, prosseguem na carta.
Assim, lamentaram que “seja necessário” considerar tais medidas, embora tenham defendido que, quando essas organizações optam por não defender os valores que a União Europeia busca promover e proteger, “o acesso ao financiamento da UE e aos benefícios associados deve permanecer suspenso até que demonstrem um compromisso renovado com tais princípios”.
A UE CONDENAM A DECISÃO DO COI
A carta dos nove ministros da Cultura europeus surge um dia depois de os ministros das Relações Exteriores dos Vinte e Sete terem manifestado sua condenação à decisão do COI de suspender “provisoriamente” a suspensão do Comitê Olímpico Russo, permitindo que atletas da Rússia participem das Olimpíadas sob a bandeira russa.
“A decisão do COI de convidar novamente os atletas russos para as competições internacionais ignora a realidade. Os ministros condenam veementemente essa decisão, uma vez que ela coincide com o fato de que a Rússia está matando um número recorde de civis ucranianos”, afirmou a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, em uma coletiva de imprensa.
Em um comunicado, o COI defendeu que sua posição em relação à invasão da Rússia contra a Ucrânia não mudou, “condenando-a veementemente”. “De maneira mais geral, o COI condena as guerras, os conflitos armados e a violência que causam sofrimento humano onde quer que ocorram”, mas considera que a participação de um atleta em competições internacionais “não deve ser limitada pelo envolvimento de seu governo em uma guerra ou conflito”.
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