Publicado 12/03/2026 08:02

A nova DAO reafirma seu apoio às vítimas e alerta que suspeitar de toda a polícia é “extremamente perigoso”.

O comissário-chefe José Luis Santafé Arnedo (à direita), ao lado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska (à esquerda), durante sua posse como diretor adjunto operacional (DAO) da Polícia Nacional, no Complexo Policial de Canillas, em 12 de março
Diego Radamés - Europa Press

Marlaska e o diretor da Polícia reiteram sua decepção com o ex-chefe e defendem a restauração da confiança na igualdade real MADRID 12 mar. (EUROPA PRESS) -

O comissário principal José Luis Santafé reafirmou nesta quinta-feira, ao assumir o cargo de novo diretor adjunto operacional (DAO) da Polícia Nacional, seu compromisso de proteger as vítimas de agressão sexual ou assédio, ao mesmo tempo em que alertou que "generalizar" e suspeitar de toda a instituição e de seus comandantes é "extremamente perigoso".

“Vocês podem continuar confiando na Polícia Nacional, uma instituição extraordinária, fiel, preparada, moderna e sempre a serviço da Espanha”, afirmou Santafé, substituto de José Ángel González como chefe da Polícia, após a demissão deste último por causa da queixa por suposto abuso sexual apresentada por uma inspetora do corpo.

O até agora chefe superior da Polícia nas Ilhas Baleares proferiu seu primeiro discurso como DAO lançando uma mensagem de confiança para qualquer denunciante de abuso, assédio ou irregularidade. “A Polícia Nacional investigará tudo a fundo, sem qualquer obstáculo”, indicou, reiterando que sempre colaborarão com a justiça “com a maior diligência”.

Além disso, o comissário principal José Luis Santafé definiu como prioridade “atender às vítimas” e “buscar a verdade sem rodeios”, referindo-se ao anúncio do Ministério do Interior de revisar os protocolos internos para aperfeiçoar os canais internos de denúncia e a proteção às vítimas. REAÇÃO RÁPIDA E NOVA ETAPA

O diretor-geral da Polícia, Francisco Pardo Piqueras, lembrou a rápida reação para afastar José Ángel González da DAO quando, na tarde de 17 de fevereiro, tomaram conhecimento da queixa por fatos muito graves que causaram “um forte impacto emocional e profissional”.

“Agimos com rapidez e firmeza, iniciando um processo de substituição imediata, priorizando a proteção da vítima; e nos colocamos à disposição do tribunal, tanto da parte da Assuntos Internos, que atua como polícia judiciária, quanto da Direção Geral. Agora é o tribunal que deve fazer o seu trabalho. Neste sentido, referiu-se a “Pepe Santafé”, até agora chefe superior da Polícia nas Ilhas Baleares, para valorizar a sua trajetória e vocação de serviço comprovadas, pedindo que ele lidere a Polícia neste momento que “acima de tudo exige caráter” e “coesão”. “Iniciamos uma nova etapa, não é uma mera substituição de nome, é uma reafirmação de nossos princípios, um passo à frente”, disse ele.

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, também se referiu a esta nova etapa aberta na instituição, após reconhecer sua decepção com o anterior DAO, José Ángel González, após a queixa por alegada agressão sexual, que o obrigou a deixar o cargo que assumira em 2018.

“A Polícia Nacional está fazendo um bom trabalho, mas episódios recentes que estão na mente de todos prejudicaram a imagem do corpo perante a sociedade, pois questionam o compromisso com a igualdade real e efetiva entre homens e mulheres”, disse Marlaska em seu discurso na posse de Santafé.

Marlaska lembrou que o sistema democrático se fortalece com o exemplo e a prestação de contas, “e se enfraquece quando um comportamento individual coloca em risco o esforço coletivo e a confiança nas instituições que servem ao interesse geral”.

AGIR COM CONDUTA EXEMPLAR “Não vou esconder minha profunda decepção, minha dor ao saber do que aconteceu”, disse Marlaska, reiterando as palavras que proferiu no Congresso dos Deputados horas depois de ter sido divulgada a queixa de uma inspetora da Polícia contra o anterior DAO.

O ministro do Interior lembrou, perante uma sala de atos do Complexo Policial de Canillas (Madrid), com toda a junta governativa da Polícia e autoridades, que os cargos públicos são “os primeiros obrigados a dar o exemplo com uma conduta exemplar”.

“A luta contra a discriminação e para erradicar a violência contra as mulheres, em todos e cada um dos âmbitos em que possa ocorrer, não é apenas um compromisso fundamental do Governo da Espanha e do Ministério do Interior, é também uma das marcas identitárias de uma sociedade como a espanhola, igualitária e inclusiva, que rejeita o machismo, a violência estrutural contra as mulheres e a impunidade”, afirmou.

Nesse sentido, Marlaska salientou que a Polícia Nacional deve continuar na vanguarda do sistema institucional criado para preservar e garantir os direitos e liberdades dos espanhóis.

A cerimônia de posse de Santafé contou com a presença da secretária de Estado de Segurança, Aina Calvo; do defensor do povo, Ángel Gabilondo; da secretária de Estado diretora do Centro Nacional de Inteligência, Esperanza Casteleiro, e do presidente da Audiencia Nacional, Juan Manuel Fernández, entre outras autoridades.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado