Alberto Ortega - Europa Press - Arquivo
MADRID, 25 mar. (EUROPA PRESS) -
A porta-voz do Junts no Congresso dos Deputados, Miriam Nogueras, explicou hoje que, na última quinta-feira, o ministro da Presidência, Félix Bolaños, ligou para eles para informar que o governo iria transpor a diretiva europeia para que os autônomos com faturamento inferior a 85.000 euros não precisassem pagar o IVA. Isso facilitaria o “sim” do Junts ao decreto-lei anticrise, pois essa era a condição para apoiá-lo.
Foi o que ela explicou hoje durante uma entrevista no programa “La Mirada Crítica” da Tele 5, divulgada pela Europa Press, na qual também rejeitou o decreto aprovado pelo governo para prorrogar por dois anos os contratos de aluguel que vencem em 2025, alegando que isso beneficiará os grandes proprietários e prejudicará os pequenos proprietários.
Segundo Nogueras, a Espanha é o “único país da UE” que não transpôs essa diretiva que o Junts considera “indispensável” para ajudar os autônomos e, por isso, “a Comissão levou a Espanha aos tribunais” por essa questão.
A porta-voz do Junts explicou que eles não estão negociando com o governo nem mantêm contatos desde que romperam relações. Ela destacou que a sequência de eventos é a seguinte: em 6 de março, seu partido apresentou no Congresso uma iniciativa com essas medidas para os autônomos, além do pedido de redução de impostos sobre gasolina, gás e energia elétrica.
E na última quinta-feira, 19 de março, receberam a ligação do ministro da Presidência explicando que o Executivo havia adotado suas medidas que, segundo ela, “são as principais incluídas neste decreto-lei”, mas entre elas não estava a supressão do IVA para os autônomos. No entanto, Bolaños se comprometeu a garantir a transposição da diretiva comunitária que viabiliza isso.
“Nós deixamos claro que nosso apoio estava condicionado à transposição dessa lei pelo governo”, ressaltou Nogueras, que considera que a isenção do IVA para os autônomos com faturamento inferior a 85.000 euros “lhes daria muito alívio” e permitiria que muitos outros “se animassem a abrir um negócio”.
PROLONGAR A CAMPANHA DE PROPAGANDA COM A HABITAÇÃO
Quanto ao Decreto Real aprovado pelo Governo na semana passada para prorrogar por dois anos os contratos de aluguel de habitações que terminam este ano, ela manifestou sua rejeição às políticas habitacionais que o Governo está implementando.
Lembrou que o referido decreto de habitação não será levado a votação amanhã porque, em sua opinião, “eles querem prorrogá-lo para prolongar a campanha de propaganda”.
No entanto, a porta-voz do Junts adverte que “a realidade e os dados caem na cara daqueles que defendem políticas que estão destruindo o mercado de aluguel”.
Dito isso, ela citou alguns dados divulgados ontem sobre o mercado de aluguel em Barcelona e destacou que, em cinco anos, a oferta caiu 90% e os preços “dispararam 60%”.
Na sua opinião, a solução é aplicar medidas como as que foram implementadas no Canadá, que construiu 1,3 milhão de novas moradias, fazendo com que os preços recuassem 21%. Portanto, Nogueras classificou como “grande erro” a Lei da Habitação que o Governo aprovou há três anos.
PEDE AO GOVERNO QUE SE ESFORÇE EM VEZ DE FAZER PROPAGANDA
Quanto ao rótulo de “capanga” que ontem Aína Vidal, porta-voz do Sumar, atribuiu ao Junts, Miriam Nogueras destacou que, em vez de se esforçarem em fazer “propaganda”, poderiam se dedicar a “elaborar bem a lei”, pois quem sai beneficiado com as medidas aprovadas no Decreto Real são os grandes proprietários.
“A lei está mal feita”, exclamou ela, alegando que muitos grandes proprietários vão recorrer ao Decreto Real para prorrogar os contratos, pois, dessa forma, não precisam aplicar o teto ao aluguel, de modo que quem sai prejudicado são os inquilinos.
No entanto, ela garante que quando um pequeno proprietário “quiser recuperar sua propriedade” porque precisa dela para si mesmo ou para um familiar, “não poderá fazê-lo por causa desta lei”. “Vendem-nos uma coisa, mas o resultado é diferente”, exclamou.
Quanto às relações do Junts com o Partido Popular, a porta-voz do partido de Puigdemont limitou-as a levar adiante projetos no Parlamento, tal como acontece com outras formações políticas.
“Não há nada mais além disso”, reforçou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático