Publicado 05/08/2025 22:12

Noboa anuncia consulta com perguntas sobre bases militares estrangeiras e financiamento de partidos

Archivo - Arquivo - 17 de maio de 2024, Madri, Espanha: DANIEL NOBOA, presidente do Equador, fala durante uma entrevista com a mídia na Casa América em Madri. O presidente do Equador, Daniel Noboa, encerra em Madri uma turnê pela Europa, na qual visitou o
Europa Press/Contacto/Luis Soto - Arquivo

MADRID 6 ago. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou nesta terça-feira uma consulta popular, sem data definida até o momento, com sete perguntas que incluem a eliminação da "proibição de estabelecer bases militares estrangeiras" e a alocação de recursos públicos para partidos políticos, bem como a redução do número de assentos no Parlamento e a abolição da imunidade dos juízes do Tribunal Constitucional.

"Todos os dias recebemos críticas, especialmente daqueles que estão mais distantes do povo, daqueles que não suportam um novo país no qual não são protagonistas e, por isso mesmo, só usam um de dois adjetivos para nossa luta: antidemocrático ou populista, mas nunca o que é: democrático e popular", argumentou Noboa em sua conta na rede social X, antes de listar as sete perguntas.

A primeira delas trata da eliminação da "proibição de estabelecer bases militares estrangeiras ou instalações estrangeiras para fins militares no território nacional e de ceder bases militares nacionais a forças armadas ou de segurança estrangeiras". A medida, incluída na Constituição de 2008 aprovada pelo governo de Rafael Correa, alterou substancialmente as relações militares de Quito com os Estados Unidos, cujas tropas concluíram sua saída da base militar de Manta, no centro da costa do país, em 2009.

Em segundo lugar, o presidente equatoriano propôs a abolição da regra que obriga o Estado a "alocar recursos do Orçamento Geral do Estado para organizações políticas", de modo que os partidos políticos possam se financiar com dinheiro de seus doadores e apoiadores. A questão tem um precedente claro no projeto de reforma do ano passado para impedir que o Estado aloque recursos para publicidade eleitoral para organizações políticas - também em face de consultas populares - uma medida atualmente pendente de um segundo debate na Assembleia.

A terceira pergunta propõe a eliminação do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social (CPCCS) e a transferência de suas funções para a Assembleia Nacional, a Defensoria do Povo e a Controladoria Geral. O CPCCS tem como principal competência a nomeação dos chefes do Ministério Público, da Ouvidoria, da Defensoria Pública e da Controladoria Geral, bem como a nomeação dos chefes das superintendências e dos membros do Conselho Nacional Eleitoral, do Tribunal de Disputas Eleitorais e do Poder Judiciário.

A quarta questão descreve a possibilidade de "reduzir o número de membros da Assembleia e, para isso, modificar o sistema eleitoral", embora o presidente não tenha explicado qual seria a forma alternativa de eleger os membros da Assembleia, que atualmente são 152, quinze a mais do que na legislatura anterior e depois que o então presidente Guillermo Lasso propôs uma medida semelhante em um referendo em 2023 e a população a rejeitou.

Noboa também propôs permitir a "contratação por hora, somente para o setor de turismo, desde que seja a primeira relação de emprego". Esse tipo de contratação implica afiliação ao Seguro Social, bem como pagamento extra e férias, de acordo com a Ministra do Trabalho, Ivonne Núñez, conforme relatado pelo jornal 'El Telégrafo'.

A sexta pergunta trata da possibilidade de que "os juízes do Tribunal Constitucional também possam ser considerados autoridades sujeitas a impeachment", e surge após semanas de críticas às ações desse tribunal pela suspensão de alguns artigos das leis de Inteligência, Integridade e Solidariedade Nacional aprovadas pelo legislativo equatoriano.

Por fim, o presidente equatoriano propôs "permitir a operação de salas de jogos e cassinos dedicados a jogos de azar em hotéis cinco estrelas", em troca dos quais eles "pagarão ao Estado um imposto de 25% de suas vendas (...), para financiar programas de combate à desnutrição infantil crônica e alimentação escolar". Sua aprovação constituiria uma mudança substancial após 2011, durante a presidência de Rafael Correa, quando tais estabelecimentos foram proibidos por voto popular.

Noboa enfatizou que essas questões "têm sido de interesse popular e necessidade urgente de mudança" há anos, argumentando que as sete questões "dão aos cidadãos o poder de escolher, de uma vez por todas, se queremos, como nação, enterrar o passado e abraçar com esperança um futuro de paz e desenvolvimento".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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